23 de abril de 2026 · Enquanto a família Trump governa os Estados Unidos, ela também minera Bitcoin no Canadá. A American Bitcoin Corp. — co-fundada por Eric Trump — ativou ontem 11.298 novos equipamentos em sua fazenda de mineração em Drumheller, Alberta. A frota total chegou a 89.242 máquinas. O tesouro da empresa tem 7.000 BTC, avaliados em mais de $550 milhões. As ações subiram 12% no dia.
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Neste artigo
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Frota total de mineradores 89.242 ASICs · 28,1 exahashes por segundo |
Reserva de Bitcoin 7.000 BTC ~$552 milhões ao preço atual |
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Expansão ativada ontem +12% 11.298 novos equipamentos · Drumheller, Alberta |
Ação ABTC ontem +12% $1,41 · alta de 49% no último mês |
Quem é a American Bitcoin
A American Bitcoin Corp. (NASDAQ: ABTC) foi formada em 2025 a partir de uma parceria entre a Hut 8, uma das maiores mineradoras de Bitcoin listadas em bolsa, e membros da família Trump. Eric Trump é co-fundador e diretor de estratégia. Donald Trump Jr. também tem participação na empresa.
Em março de 2026, a empresa ultrapassou a Galaxy Digital de Mike Novogratz e se tornou o 16º maior detentor público de Bitcoin do mundo. Seu tesouro de 7.000 BTC a coloca lado a lado com governos e fundos soberanos na lista de maiores detentores institucionais do ativo.
Além da American Bitcoin, a família Trump tem exposição direta ao setor crypto através da Trump Media & Technology, que detém 9.542 BTC, e da World Liberty Financial, uma plataforma DeFi lançada em 2025. O presidente dos EUA é o chefe de Estado mais diretamente exposto ao ecossistema crypto na história do cargo.
O que é mineração de Bitcoin — e por que ela importa
Minerar Bitcoin significa usar computadores especializados para resolver cálculos matemáticos complexos que validam transações e adicionam novos blocos à blockchain. Em troca desse trabalho, o minerador recebe novos Bitcoin como recompensa — atualmente 3,125 BTC por bloco, após o último halving de abril de 2024.
Os equipamentos usados para isso se chamam ASICs (Application-Specific Integrated Circuits) — hardware fabricado exclusivamente para minerar Bitcoin, sem servir para nada mais. A métrica de eficiência dessas máquinas é medida em joules por terahash (J/TH): quanto menor o número, menos energia gasta por unidade de trabalho computacional — e menor o custo de produção por Bitcoin.
A quantidade total de poder computacional na rede se chama hashrate, medida em exahashes por segundo (EH/s). Quanto mais hashrate uma empresa controla, maior sua fatia das recompensas totais. O hashrate global da rede Bitcoin está hoje por volta de 990 EH/s. A American Bitcoin, com 28,1 EH/s, controla cerca de 2,8% dessa rede.
A mineração importa além dos números de produção. Os mineradores são os responsáveis por manter a segurança da rede Bitcoin — sem eles, a blockchain para de funcionar. Uma concentração crescente de hashrate nas mãos de poucas empresas — especialmente empresas com vínculos políticos — é um debate que a comunidade Bitcoin leva a sério.
A expansão de Drumheller em números
Drumheller é uma cidade no interior de Alberta, no Canadá, conhecida por suas formações rochosas e por ser rica em recursos energéticos. É lá que a American Bitcoin opera sua principal fazenda de mineração. Ontem, a empresa concluiu a ativação dos 11.298 ASICs adquiridos em março — completando um plano de expansão anunciado há seis semanas.
| Métrica | Antes | Depois | Variação |
|---|---|---|---|
| Total de ASICs | ~77.944 | 89.242 | +11.298 |
| Hashrate total (EH/s) | ~25,0 | 28,1 | +3,05 EH/s |
| Eficiência média (J/TH) | 16,0 | 16,0 (novos: 13,5) | Novos mais eficientes |
| Tesouro de BTC | ~6.900 BTC | 7.000 BTC | ~$552M em valor |
Os novos equipamentos operam a 13,5 joules por terahash — mais eficientes do que a média atual da frota de 16 J/TH. Isso significa menor custo de energia por Bitcoin produzido, o que melhora as margens da empresa mesmo em períodos de maior dificuldade de rede.
A estratégia: minerar abaixo do custo de mercado
O modelo da American Bitcoin é diferente do da Strategy. Enquanto a Strategy compra Bitcoin no mercado aberto com dinheiro captado em bolsa, a American Bitcoin produz Bitcoin através da mineração — e acumula o que produz em vez de vender.
No quarto trimestre de 2025, a empresa declarou ter minerado Bitcoin a um custo 53% abaixo do preço de mercado. Isso significa que cada Bitcoin produzido pela empresa custou, em termos de energia e operação, menos da metade do que o mesmo Bitcoin custaria comprando em uma exchange. É uma vantagem competitiva significativa — mas que depende fundamentalmente de acesso a energia barata.
Alberta, no Canadá, tem energia relativamente barata e não é sujeita às mesmas restrições regulatórias que alguns estados americanos impõem à mineração. Essa escolha geográfica é calculada: a empresa busca jurisdições onde pode operar com custos baixos e sem interferência regulatória local.
O modelo funciona assim: a empresa opera as máquinas, minera Bitcoin com custo de produção abaixo do spot, acumula o BTC no tesouro em vez de vender, e cresce tanto em hashrate quanto em reserva. Com 28,1 EH/s, a empresa produz aproximadamente 42 BTC por mês aos níveis atuais de dificuldade de rede — cerca de 500 BTC por ano, adicionados ao tesouro sem precisar comprá-los no mercado.
O conflito de interesses que o mercado não pode ignorar
Nunca antes na história dos Estados Unidos o presidente e sua família tinham interesses financeiros diretos em um ativo cujo valor depende parcialmente das políticas que o mesmo presidente controla ou influencia.
Donald Trump indicou Kevin Warsh para presidir o Fed — um indicado com histórico de posições em DeFi e que declarou ver o Bitcoin como “o novo ouro para pessoas abaixo dos 40 anos”. Trump pressiona publicamente por corte de juros. Juros mais baixos historicamente beneficiam ativos de risco como o Bitcoin. A família Trump tem 7.000 BTC em mineração, mais de 9.500 BTC na Trump Media e participações na World Liberty Financial.
Ao mesmo tempo, a administração Trump está avançando a CLARITY Act — o projeto de lei que regulamenta o crypto nos EUA de forma favorável ao setor — e criou a Strategic Bitcoin Reserve, uma reserva soberana de Bitcoin para o governo americano.
O argumento dos defensores é que um presidente com interesses em Bitcoin tem incentivos para criar um ambiente regulatório favorável à adoção — o que beneficia todos os detentores, não só a família Trump. O argumento dos críticos é que decisões de política pública não deveriam ser influenciadas por interesses financeiros privados do tomador de decisão. Os dois argumentos são válidos. O mercado já precificou o primeiro. O segundo ainda está em aberto.
Perguntas Frequentes
O que é a American Bitcoin e quem são seus fundadores?
É uma empresa de mineração e reserva de Bitcoin listada na Nasdaq (ABTC), formada em 2025 pela Hut 8 com participação de Eric Trump e Donald Trump Jr. Eric Trump é co-fundador e diretor de estratégia. A empresa opera principalmente em Drumheller, Alberta, Canadá, e acumula os Bitcoins minerados como reserva em vez de vendê-los no mercado.
O que é um ASIC e por que a eficiência medida em J/TH importa?
ASIC (Application-Specific Integrated Circuit) é um hardware fabricado exclusivamente para minerar Bitcoin. A eficiência é medida em joules por terahash (J/TH) — quanto menor o número, menos energia a máquina consome para realizar o mesmo trabalho de mineração. Os novos equipamentos da American Bitcoin operam a 13,5 J/TH, mais eficientes que a média da frota de 16 J/TH, o que reduz o custo de produção por Bitcoin.
Por que a empresa minera no Canadá e não nos EUA?
Alberta oferece energia elétrica relativamente barata e um ambiente regulatório mais flexível para mineração do que vários estados americanos. O custo de energia é o principal fator de competitividade na mineração de Bitcoin — por isso as empresas buscam regiões com tarifas baixas, seja por proximidade de hidroelétricas, gás natural ou outras fontes.
Qual é a diferença entre a American Bitcoin e a Strategy de Saylor?
A Strategy compra Bitcoin no mercado aberto usando capital captado em bolsa — não produz Bitcoin. A American Bitcoin produz Bitcoin através da mineração e acumula o que produz, com custo de aquisição abaixo do preço de mercado. São dois modelos de exposição institucional ao Bitcoin: um via mercado financeiro, outro via produção direta. Os dois acumulam, mas os riscos e as economias são diferentes.
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