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O Fed Decide na Quarta e as Apostas de Alta Triplicaram em Uma Semana: O Que Está em Jogo no FOMC de 29 de Julho

24 de julho de 2026 · Na próxima quarta-feira, 29 de julho, às 15h de Brasília, o Federal Reserve anuncia sua decisão sobre os juros americanos, na segunda reunião de Kevin Warsh no comando. Até uma semana atrás, a resposta parecia óbvia: o Fed manteria os juros, e o mercado seguiria em frente. Mas o cenário virou rápido. As apostas de uma alta de juros nesta reunião triplicaram em poucos dias, saindo de cerca de 10% em 15 de julho para perto de 35% agora. A manutenção continua sendo o cenário mais provável, com cerca de 64% de probabilidade, mas o simples fato de a alta ter deixado de ser uma hipótese remota e virado uma possibilidade real mudou o tom do mercado. Três forças explicam a virada: o petróleo, que voltou a passar de $100 o barril com a escalada do conflito EUA-Irã; o PCE, o índice de inflação preferido do Fed, que veio quente; e as novas tarifas comerciais anunciadas pelos EUA. Para a tese de formação de fundo que viemos sustentando, o FOMC de quarta é o grande teste de confirmação: uma manutenção reforçaria o cenário que os dados on-chain vêm desenhando. Esta newsletter explica o que está em jogo, por que as odds subiram e o que cada desfecho significaria.

Tempo de leitura: ~6 min

Decisão do Fed

29 de julho

anúncio às 15h de Brasília, coletiva de Warsh às 15h30 · taxa atual: 3,50% a 3,75% · seria a 5ª manutenção seguida se mantiver

Aposta de alta (triplicou)

~10% → ~35%

em uma semana, segundo o CME FedWatch · manutenção segue favorita (~64%) · alta de 0,50% está praticamente descartada

Petróleo (Brent)

Acima de $100

voltou a passar de $100 com o conflito EUA-Irã · pressão inflacionária direta · um dos motivos da alta das odds

Bitcoin hoje

~$65.000

-1,4% no dia, pressionado por tarifas e juros · véspera do FOMC · mercado reduzindo risco antes da decisão


A virada: como as apostas de alta triplicaram em uma semana

Em 15 de julho, logo após o CPI frio de junho, o mercado precificava apenas 10,7% de chance de uma alta de juros no FOMC de 29 de julho. O dado de inflação favorável tinha derrubado o medo de aperto, e a narrativa era de que o Fed manteria os juros com tranquilidade. Uma semana depois, em 22 de julho, essa probabilidade mais que triplicou, chegando a cerca de 34,7%, segundo o CME FedWatch.

É importante ler esse número com precisão, para não cair no alarmismo. Uma probabilidade de 35% de alta significa que o mercado ainda considera a manutenção o cenário mais provável, com cerca de 64% de chance. Uma alta maior, de 0,50%, está praticamente descartada, com odds perto de zero. Ou seja, o debate não é mais sobre “cortar ou manter”, como era no começo do ano, e passou a ser sobre “manter ou subir um quarto de ponto”. O centro de gravidade da discussão se deslocou claramente para o lado mais restritivo.

Economistas consultados pela FactSet ainda projetam que o Fed vai manter a taxa no intervalo de 3,50% a 3,75%, o que seria a quinta manutenção consecutiva. Mas o tom mudou. Como resumiu o CEO da firma de investimentos deVere, o Fed vai achar a manutenção um caso mais difícil de defender do que parecia algumas semanas atrás. A tranquilidade do pós-CPI evaporou.


As três forças que empurraram as odds para cima

A tripla alta das apostas de aperto não veio do nada. Três forças se combinaram na última semana para reacender o medo de inflação.

O que empurrou as apostas de alta de 10% para 35%

Força O que aconteceu Por que pressiona o Fed
Petróleo Voltou a passar de $100 com a escalada do conflito EUA-Irã e o bloqueio de Hormuz Energia mais cara alimenta a inflação diretamente e ameaça reverter o alívio do CPI de junho
PCE quente O índice de inflação preferido do Fed subiu, com o núcleo acima da meta É a métrica que o Fed mais observa. Um PCE alto enfraquece o argumento da desinflação do CPI
Novas tarifas Os EUA anunciaram novas tarifas comerciais nesta semana Tarifas encarecem bens importados e adicionam pressão inflacionária que o Fed precisa considerar

O petróleo é a força mais direta. Depois de cair para perto de $74 em junho, quando houve o cessar-fogo, ele voltou a subir com o colapso do acordo em 8 de julho, e nesta semana passou de $100 novamente. Energia cara entra na inflação de forma quase imediata, e é o tipo de choque que o Fed não pode ignorar. O PCE quente, o índice de inflação que o Fed prefere ao CPI, reforçou a preocupação: mesmo com o CPI de junho tendo vindo frio, o PCE mostrou que a pressão de fundo não cedeu tanto quanto se esperava.

⚠️ Aviso importante: as análises acima têm caráter exclusivamente informativo. A Formadores de Mercado não recomenda a compra ou venda de nenhum ativo. Decisões de política monetária são incertas. Criptoativos envolvem alto risco de perda.


O fator Warsh: sem projeções e sem forward guidance

Um detalhe torna esta reunião especialmente difícil de prever: o estilo de Kevin Warsh. Desde que assumiu, ele eliminou o forward guidance, a prática do Fed de sinalizar com antecedência os próximos passos da política monetária. Na reunião de junho, ele nem sequer apresentou suas próprias projeções econômicas individuais, algo incomum para um presidente do Fed. E esta reunião de julho não traz o Resumo de Projeções Econômicas, o documento que inclui o famoso dot plot.

Isso significa que toda a atenção do mercado vai se concentrar em duas coisas: o texto do comunicado, divulgado às 15h de Brasília, e a coletiva de imprensa de Warsh, meia hora depois. Sem projeções e sem forward guidance, os investidores terão que interpretar as nuances das palavras de Warsh em tempo real para entender o que vem em setembro. É o tipo de ambiente que amplifica a volatilidade, porque não há um roteiro pré-anunciado para ancorar as expectativas.

Vale um contraponto que dá equilíbrio: alguns estrategistas, como os do Chase, avaliam que a postura dura de Warsh e a brevidade das suas coletivas podem estar sendo exageradas pelo mercado. Eles notam que as expectativas de inflação medidas pelo mercado já caíram abaixo dos níveis anteriores ao conflito com o Irã, o que sugere que parte do medo pode estar sobreprecificado. É um lembrete de que o consenso do mercado nem sempre acerta, e que a manutenção segue sendo o cenário mais provável.


Os desfechos possíveis e o que cada um significa

Para navegar a quarta-feira, vale entender os cenários possíveis e o que cada um tenderia a significar. Lembrando que o mais provável, de longe, continua sendo a manutenção com tom cauteloso.

Os cenários do FOMC de quarta e o que cada um sinaliza

Cenário Probabilidade Leitura para o cenário de fundo
Manutenção com tom neutro Cenário mais provável Confirma a leitura de fundo. Remove o risco imediato de aperto e dá espaço para a base seguir se formando
Manutenção com tom duro Possível Mantém a taxa mas sinaliza vigilância. A base de fundo segue, mas o mercado espera setembro com cautela
Alta de 0,25% Cerca de 35% Surpresa restritiva. Testaria a resiliência da base, mas não muda a estrutura de longo prazo do ativo

O detalhe importante é que, como o mercado já precifica 35% de chance de alta, uma parte desse cenário já está nos preços. Isso significa que uma manutenção com tom neutro poderia funcionar como alívio, já que o mercado vinha se preparando para algo pior. E mesmo uma alta de 0,25%, embora fosse uma surpresa restritiva de curto prazo, não alteraria os fundamentos estruturais que viemos acompanhando: a capitulação já registrada, a MM200 semanas testada como suporte e a acumulação das baleias.


O que isso significa para o investidor brasileiro

Para o investidor brasileiro, o FOMC de quarta é o principal evento da semana e o teste mais importante da tese de formação de fundo no curto prazo. A leitura da Formadores é que uma manutenção, o cenário mais provável, funcionaria como confirmação do cenário que os dados on-chain vêm desenhando desde junho: o mercado saiu da fase de pânico e entrou numa fase de construção de base, com as forças estruturais se alinhando gradualmente.

O ponto de equilíbrio a manter é não superdimensionar o evento. Uma reunião do Fed é um teste de confirmação, não o fator que define a tese. Os fundamentos de longo prazo do Bitcoin, que documentamos ao longo do mês, não dependem de uma única decisão de juros. O que o FOMC decide afeta o timing e o humor de curto prazo, não a estrutura. Se vier manutenção, a base de fundo ganha reforço. Se vier uma alta surpresa, a base é testada, mas não desmontada.

O que observar na quarta, a partir das 15h de Brasília: primeiro, a decisão em si; segundo, e mais importante, o tom do comunicado e da coletiva de Warsh, que vão sinalizar o caminho para setembro. Como não há dot plot nem forward guidance, a interpretação das palavras será o que move o mercado. Para quem investe com horizonte de anos, a postura prática segue a mesma: entender o próprio perfil de risco importa mais do que tentar antecipar a decisão de uma reunião. A fundação do próximo ciclo continua sendo construída, e o FOMC de quarta é mais um tijolo desse processo, não o alicerce inteiro.

O contexto que resume o momento: no começo de 2026, o mercado esperava cortes de juros. Em julho, discute uma possível alta. Essa inversão completa de expectativa, em poucos meses, é o retrato do ambiente macro que dominou o primeiro semestre e pressionou o Bitcoin. A boa notícia para a tese de fundo é que boa parte desse aperto de expectativa já foi absorvida pelo preço, com o Bitcoin tendo feito sua mínima de ciclo em junho. O FOMC de quarta dirá se o próximo capítulo é de alívio ou de mais um teste de paciência.

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Davidson Luciano - @mcmanocall (X)

Analista técnico e criador do método CriptoFlow

Este artigo possui caráter exclusivamente informativo, educacional e opinativo, não constituindo recomendação de investimento, oferta, solicitação ou garantia de rentabilidade em relação a bitcoin, criptoativos ou quaisquer outros ativos. As informações, análises, opiniões e projeções aqui contidas têm finalidade meramente informativa e não substituem avaliação própria, independente e criteriosa por parte do leitor. Desempenhos passados não representam garantia de resultados futuros. Assim, toda decisão tomada com base neste conteúdo é de responsabilidade exclusiva do leitor, não podendo a Formadores de Mercado ser responsabilizada por eventuais perdas, danos ou prejuízos decorrentes de seu uso ou interpretação.