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Por Que o Bitcoin Está “Colado” nos $64 Mil: O Vencimento Recorde de $10,4 Bilhões em Opções e o Que Ele Revela

31 de julho de 2026 · Se você tem acompanhado o Bitcoin nas últimas semanas, deve ter notado algo curioso: o preço parece “colado” na faixa dos $64.000, sem conseguir subir nem cair de forma decisiva. Hoje, sexta-feira e último dia útil do mês, um evento ajuda a explicar boa parte dessa imobilidade. Cerca de $10,4 bilhões em opções de Bitcoin e Ethereum venceram nesta manhã, no maior vencimento mensal do período, e o nível de $64.000 estava exatamente no centro dessa liquidação. Foram aproximadamente 149.000 contratos de opções de Bitcoin, com valor nocional de $9,6 bilhões, mais 435.000 contratos de Ethereum. Esse tipo de evento costuma “prender” o preço perto de um ponto específico, o chamado “max pain”, e entender esse mecanismo ajuda a não confundir um movimento técnico de curto prazo com uma mudança de tendência. Mas há um detalhe ainda mais importante nesta edição, algo que as duas expirações anteriores de julho já vinham sinalizando, e que diz mais sobre o estado real do mercado do que o próprio vencimento. Esta newsletter explica o que é o max pain, por que ele manteve o Bitcoin travado, e o que a reação do mercado revela sobre a formação de fundo.

Tempo de leitura: ~6 min

Vencimento total hoje

$10,4 bi

em opções de BTC e ETH · maior vencimento mensal do período · liquidação na Deribit às 8h UTC

Max pain do Bitcoin

$64.000

o ponto de maior “dor” para os compradores de opções · bem perto do preço à vista atual

Relação put/call do BTC

0,28

muito mais calls (apostas de alta) que puts · mas boa parte concentrada em $70K-$72K, fora do alcance

Bitcoin após o vencimento

~$63.700

-1,3% no dia · seguiu na faixa de sempre · volatilidade semanal na mínima de 2 anos


O que é o “max pain” e por que ele prende o preço

Vamos começar pelo conceito, porque ele é a chave para entender o dia. Uma opção é um contrato que dá o direito de comprar (uma “call”) ou vender (uma “put”) um ativo a um preço fixo, numa data futura. Milhares de investidores compram e vendem essas opções apostando em diferentes níveis de preço para o Bitcoin. O “max pain”, ou “máxima dor”, é o preço em que o maior número possível dessas apostas termina sem valor, causando a maior perda coletiva para os compradores de opções e o menor pagamento por parte de quem as vendeu.

A teoria por trás do fenômeno é a seguinte: as instituições que vendem essas opções (chamadas de “dealers”) precisam se proteger, e para isso compram Bitcoin quando o preço cai e vendem quando ele sobe, equilibrando suas posições. Esse comportamento, multiplicado por bilhões de dólares em contratos, tende a “puxar” o preço em direção ao nível de max pain conforme o vencimento se aproxima, como se fosse um ímã. É por isso que, em semanas de grande vencimento, o preço costuma ficar preso perto de um valor específico, exatamente o que vimos nos $64.000.

O ponto importante para o investidor de longo prazo é que esse é um movimento puramente técnico e temporário. Ele não diz nada sobre o valor fundamental do Bitcoin nem sobre a direção futura do mercado. É apenas o efeito mecânico de um grande volume de contratos chegando ao vencimento ao mesmo tempo. Uma vez que o vencimento passa, esse “ímã” desaparece, e o preço volta a se mover segundo a oferta e a demanda reais.


Os números do vencimento de hoje

Este foi um dos maiores vencimentos do ano, ampliado por ser fim de mês. Vale olhar os números, porque eles ajudam a dimensionar o evento.

O vencimento de opções de 31 de julho

Dado Bitcoin Ethereum
Contratos vencidos ~149.000 ~435.000
Valor nocional $9,6 bilhões $830 milhões
Nível de max pain $64.000 $1.850
Relação put/call 0,28 0,63

A relação put/call merece uma explicação, porque é reveladora. Ela compara o volume de puts (apostas de queda) com o de calls (apostas de alta). Uma relação de 0,28 no Bitcoin significa que havia muito mais calls do que puts, cerca de três a quatro vezes mais. À primeira vista, isso parece otimista: a maioria estava apostando na alta. Mas, como veremos, o lugar onde essas apostas estavam posicionadas conta uma história diferente.

⚠️ Aviso importante: este conteúdo é educativo e informativo. A Formadores de Mercado não recomenda a compra ou venda de nenhum ativo. Derivativos como opções envolvem risco elevado e são inadequados para a maioria dos investidores. Criptoativos envolvem alto risco de perda.


O detalhe das calls: otimismo que não se pagou

Aqui está a nuance que separa a leitura superficial da leitura correta. É verdade que havia muito mais apostas de alta (calls) do que de queda (puts). Mas a maioria dessas calls estava concentrada em níveis bem acima do preço atual, especialmente nas faixas de $70.000 e $72.000. Para essas apostas valerem alguma coisa no vencimento, o Bitcoin precisaria ter disparado muito acima da sua faixa recente, o que não aconteceu.

O Bitcoin passou o dia negociando num intervalo estreito, aproximadamente entre $63.800 e $65.300. Com isso, as maiores apostas de alta terminaram “fora do dinheiro”, ou seja, sem valor. Foi um otimismo que não se concretizou. Muitos traders passaram semanas apostando numa ruptura para cima que simplesmente não veio. Isso mostra que o volume de calls, isoladamente, pode enganar: o que importa não é só quantas apostas de alta existem, mas onde elas estão posicionadas e se o preço realmente as alcança.

Esse padrão vem se repetindo. Nas duas sextas-feiras anteriores de julho, dois grandes vencimentos foram liquidados, e em ambos o Bitcoin permaneceu perto de $64.000, sem uma ruptura convincente nem para cima nem para baixo. As apostas de alta agressivas vêm sendo frustradas semana após semana, o que nos leva ao ponto central desta análise.


O insight que importa: não é o max pain, é a demanda à vista

Durante boa parte de julho, muitos traders tinham uma explicação confortável para a imobilidade do Bitcoin: a culpa era das opções. O argumento era que os dealers, ao equilibrarem suas posições, estavam segurando o preço artificialmente perto do max pain, comprando cada queda e vendendo cada alta. A conclusão lógica dessa tese era animadora: bastava os contratos vencerem para o Bitcoin ficar “livre” para subir.

O problema é que essa tese não se sustentou. Nas duas expirações anteriores de julho, os contratos venceram, o suposto “ímã” foi removido, e o Bitcoin… continuou perto de $64.000. Não houve a ruptura esperada. E é aqui que está a lição mais valiosa: se remover as opções não liberou o preço, então não eram as opções que estavam segurando o Bitcoin. A verdadeira causa da imobilidade é mais simples e mais fundamental, a demanda à vista está fraca. Não há compradores suficientes no mercado físico dispostos a empurrar o preço para cima com convicção.

Como resumiu uma análise da CryptoTimes, o recuo modesto até o nível de max pain foi uma resposta de manual a um grande vencimento, e não uma mudança fundamental no regime de lateralização. Em outras palavras: o vencimento de hoje explica o movimento do dia, mas o que explica a lateralização de semanas é a ausência de demanda nova, agravada pela saída de capital após a decisão do Fed e a reescalada do conflito com o Irã. A volatilidade semanal do Bitcoin, aliás, está na mínima de dois anos, o sinal clássico de um mercado comprimido esperando um catalisador.


O que isso significa para o investidor brasileiro

Para o investidor brasileiro, o vencimento de hoje traz duas lições práticas. A primeira: não confunda um movimento técnico de curto prazo com uma tendência. O recuo do Bitcoin até os $64.000 hoje é o efeito mecânico de um vencimento bilionário, não um sinal de que algo mudou nos fundamentos. Quem entende o que é o max pain não entra em pânico com esse tipo de oscilação, nem se ilude com ela.

A segunda lição, mais importante, é sobre o que a lateralização realmente significa. A leitura da Formadores é que essa fase de compressão, com a volatilidade na mínima de dois anos, é coerente com um mercado que está construindo uma base, e não com um mercado em colapso. O Bitcoin não está caindo diante de más notícias, como o Fed duro e a tensão geopolítica, e sim se recusando a romper para qualquer lado enquanto a demanda nova não aparece. Historicamente, longos períodos de baixa volatilidade e preço comprimido costumam anteceder movimentos expressivos, embora nunca se saiba de antemão a direção da ruptura.

O que isso reforça, na prática, é a inutilidade de tentar operar esses vencimentos no curto prazo. As apostas de alta agressivas, aquelas calls em $70.000 e $72.000, foram frustradas três sextas-feiras seguidas, queimando o capital de quem tentou adivinhar a ruptura. Para quem investe com horizonte de anos, o vencimento de opções é apenas ruído. O que importa é a construção de fundo que os dados on-chain vêm mostrando, a acumulação das baleias, a capitulação já registrada, a resiliência diante do Fed que vimos ontem. O preço travado nos $64.000 não é o fim da história, é a página em que o mercado está esperando o próximo capítulo ser escrito.

O detalhe que resume o momento: por semanas, o mercado culpou as opções por prender o Bitcoin nos $64.000. Mas os contratos venceram, e o preço não se moveu. Isso revela a verdade por baixo do ruído: o Bitcoin não está preso por manipulação técnica, e sim aguardando demanda real. É um mercado em compressão, com a volatilidade na mínima de dois anos, guardando energia. Para o investidor de longo prazo, essa quietude não é motivo de tédio nem de medo, é a fase silenciosa em que as bases de um ciclo são assentadas, longe dos holofotes.

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Davidson Luciano - @mcmanocall (X)

Analista técnico e criador do método CriptoFlow

Este artigo possui caráter exclusivamente informativo, educacional e opinativo, não constituindo recomendação de investimento, oferta, solicitação ou garantia de rentabilidade em relação a bitcoin, criptoativos ou quaisquer outros ativos. As informações, análises, opiniões e projeções aqui contidas têm finalidade meramente informativa e não substituem avaliação própria, independente e criteriosa por parte do leitor. Desempenhos passados não representam garantia de resultados futuros. Assim, toda decisão tomada com base neste conteúdo é de responsabilidade exclusiva do leitor, não podendo a Formadores de Mercado ser responsabilizada por eventuais perdas, danos ou prejuízos decorrentes de seu uso ou interpretação.