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A Semana Decisiva do CLARITY Act: O Senado Tem Poucos Dias Para Votar Antes do Recesso, ou o Bitcoin Espera até 2027

4 de agosto de 2026 · Ao longo de julho, acompanhamos passo a passo a novela do CLARITY Act, a lei que definiria as regras do mercado de criptomoedas nos Estados Unidos: a cláusula de ética que o próprio Trump aceitou, a rejeição de sete senadores democratas, a disputa sobre quem fiscaliza. Agora chegamos ao capítulo decisivo. O Senado americano tem poucos dias, até sexta-feira, 7 de agosto, para votar o projeto antes de entrar no recesso de verão, que vai até 14 de setembro. E o sinal desta semana não é animador: o CLARITY Act simplesmente sumiu da pauta de votações de segunda-feira. Um relógio começou a correr, medido não mais em semanas, mas em horas. A quarta-feira, 5 de agosto, é o prazo normal para protocolar a moção que permitiria uma votação na sexta. Se essa janela fechar, a lei mais importante do setor pode escorregar para 2027, ou morrer de vez. As odds de aprovação em 2026, que já estiveram acima de 80% em fevereiro, despencaram para cerca de 30%. Esta newsletter explica o relógio que corre esta semana, o que está travando o projeto, e o que acontece com o Bitcoin nos dois cenários, aprovação ou adiamento.

Tempo de leitura: ~6 min

Prazo final

7 de agosto

última janela realista de votação antes do recesso, que começa em 10/ago · Senado só volta em 14/set

Odds de aprovação em 2026

~30%

no Polymarket · caiu de +80% em fevereiro · Galaxy Research também cortou de 50% para 30%

O que falta

60 votos

para superar o filibuster · republicanos têm 53 · precisam de ~7 democratas, que ainda resistem ao texto atual

Bitcoin hoje

~$63.500

de olho em Washington · o mercado já precifica adiamento, não aprovação iminente


O relógio que corre: os prazos desta semana

Para entender por que esta semana é decisiva, é preciso conhecer a mecânica do Senado. O CLARITY Act precisa de 60 votos para superar o chamado filibuster, uma manobra que permite adiar indefinidamente uma votação. Como os republicanos têm 53 cadeiras, eles precisam de cerca de sete votos democratas. E o primeiro passo formal para chegar lá é protocolar uma moção de “cloture”, que encerra o debate e permite avançar para a votação.

Aqui está o calendário apertado desta semana. Pela regra normal, uma moção de cloture protocolada na quarta-feira, 5 de agosto, permitiria uma votação na sexta-feira, 7 de agosto, sobre a “moção de prosseguir”, ou seja, apenas o passo que autoriza começar a debater o projeto no plenário. Note que isso ainda não é a aprovação final da lei, é só a largada. E mesmo essa largada só acontece se a moção for protocolada a tempo. Depois disso, o Senado entra em recesso em 10 de agosto e só retorna em 14 de setembro.

O sinal de alerta veio na segunda-feira: a pauta de votações do Senado não trazia nenhuma ação sobre o CLARITY Act. O único item de destaque era uma votação sobre um projeto de gastos, sem relação com cripto. O líder da maioria, John Thune, disse que pretende levar o projeto ao plenário, mas uma agenda lotada, com nomeações, uma resolução orçamentária e votações sobre sanções ao Irã e à Rússia, vem disputando o tempo escasso. Existe um caminho mais rápido, através de um acordo de consentimento unânime, mas ele pode ser bloqueado por um único senador.


O que ainda está travando o projeto

Os obstáculos são os mesmos que documentamos em julho, e nenhum deles foi resolvido publicamente até agora. Em 22 de julho, sete senadores democratas declararam que o texto republicano “fica aquém” em pontos essenciais, e não houve confirmação de que essas lacunas foram fechadas.

Os pontos que ainda travam o acordo

Ponto de disputa A tensão
Fiscalização da ética Democratas querem um mecanismo independente do Departamento de Justiça, que responde ao presidente
Poderes de fiscalização Divergências sobre a divisão exata de competências entre SEC e CFTC
Finanças descentralizadas Como tratar o DeFi e os desenvolvedores de blockchain no texto
Lavagem de dinheiro Regras anti finanças ilícitas que alguns senadores consideram insuficientes
Rendimento de stablecoins Disputa sobre permitir ou não recompensas do tipo rendimento em stablecoins

A pressão da indústria tem sido intensa. A Grayscale pediu formalmente aos líderes do Senado que votem antes do recesso, alertando que o atraso ameaça a competitividade dos Estados Unidos em ativos digitais. O grupo Stand With Crypto afirmou que apoiadores contataram parlamentares mais de um milhão de vezes pedindo a aprovação. Mesmo assim, com tantos pontos em aberto e uma agenda congestionada, o consenso entre os analistas é de ceticismo quanto a uma aprovação nesta semana.

⚠️ Aviso importante: este conteúdo é informativo e descreve um processo legislativo em andamento, sujeito a mudanças rápidas. A Formadores de Mercado não recomenda a compra ou venda de nenhum ativo. Criptoativos envolvem alto risco de perda.


O que acontece se o CLARITY Act passar

Se, contra o ceticismo atual, o Senado conseguir aprovar o projeto, o efeito estrutural seria significativo. Como explicamos na newsletter sobre a base regulatória, hoje a classificação de Bitcoin, Ethereum e outros ativos como commodities se apoia numa orientação administrativa de março, que é reversível por qualquer governo futuro. O CLARITY Act transformaria essa base reversível em lei federal permanente.

Na prática, isso destravaria o capital institucional mais conservador, os fundos de pensão e grandes gestores que exigem segurança jurídica de lei, não de interpretação administrativa, para entrar de forma plena. Seria a remoção de um dos últimos grandes obstáculos regulatórios para a adoção institucional nos Estados Unidos. É por isso que a indústria trata a lei como tão importante: não pelo efeito de curto prazo no preço, mas pela fundação de longo prazo que ela consolidaria.


O que acontece se ele não passar

O cenário mais provável hoje, segundo as odds do mercado, é o adiamento. Se a janela desta semana fechar, o CLARITY Act não morre necessariamente, mas escorrega para o calendário pós-recesso, a partir de 14 de setembro. E aí entra uma complicação: o segundo semestre de um ano de eleições de meio de mandato costuma deixar pouco espaço para legislação complexa, já que os parlamentares se voltam para suas campanhas. Por isso, alguns analistas alertam que perder esta janela pode empurrar o projeto para 2027, ou até fazê-lo morrer no fim do atual Congresso, exigindo recomeçar tudo do zero.

Mas é importante manter a perspectiva, e aqui está o ponto central para o investidor de longo prazo: um adiamento não muda o que o Bitcoin e o Ethereum são hoje. Eles seguem classificados como commodities pela orientação de março, os ETFs continuam operando normalmente, e o mercado segue funcionando. O adiamento significa que a permanência jurídica demora mais a chegar, não que a base atual desaparece. É uma frustração de cronograma, não uma reversão de status.

Aliás, o próprio mercado já parece ter absorvido essa expectativa. Com as odds em 30% há semanas, um adiamento não seria uma surpresa capaz de provocar um choque, já que boa parte dessa frustração já está nos preços. O Bitcoin segue perto de $63.500, sem sinais de estar precificando uma aprovação iminente.


O que isso significa para o investidor brasileiro

Para o investidor brasileiro, o desfecho desta semana é importante de acompanhar, mas não deve ser motivo de ansiedade. A leitura da Formadores é a mesma que viemos sustentando: o CLARITY Act é uma peça estrutural de longo prazo, não um gatilho de curto prazo. Ele consolidaria a fundação sobre a qual o próximo ciclo se constrói, mas a construção dessa fundação é um processo político, e processos políticos raramente seguem o calendário que o mercado gostaria.

O que observar nos próximos dias é concreto: se uma moção de cloture for protocolada até quarta-feira, há chance de uma votação na sexta. Se a quarta passar sem isso, a probabilidade de adiamento para setembro, ou além, cresce muito. Nos dois casos, a postura de quem investe com horizonte de anos não muda. A tese de formação de fundo, sustentada pela capitulação já registrada, pela acumulação das baleias e pela resiliência recente do Bitcoin diante do Fed, não depende de uma única votação em Washington.

A lição maior de toda essa novela, que começou lá em julho e chega ao clímax agora, é que a regulação avança em ziguezague, com avanços e recuos, prazos e adiamentos. Quem acompanha cada manchete como se fosse decisiva se desgasta à toa. Quem entende o processo consegue separar o ruído do sinal: o sinal é que a estrutura regulatória do cripto nos Estados Unidos está se construindo, de forma lenta e negociada, mas real. Se acontece nesta sexta ou em 2027, é uma questão de cronograma, não de direção. E a direção, para quem pensa em anos, é o que realmente importa.

O detalhe que resume o momento: em fevereiro, o mercado dava mais de 80% de chance de o CLARITY Act virar lei em 2026. Hoje, essa aposta caiu para 30%, e o projeto sumiu da pauta na semana do prazo final. É a distância entre o entusiasmo e a realidade da política americana. Mas, para o investidor de fundo, a lição é serena: a lei que consolidaria a base do cripto pode demorar, e ainda assim a base atual segue de pé. O relógio que corre esta semana decide o cronograma, não o destino.

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Davidson Luciano - @mcmanocall (X)

Analista técnico e criador do método CriptoFlow

Este artigo possui caráter exclusivamente informativo, educacional e opinativo, não constituindo recomendação de investimento, oferta, solicitação ou garantia de rentabilidade em relação a bitcoin, criptoativos ou quaisquer outros ativos. As informações, análises, opiniões e projeções aqui contidas têm finalidade meramente informativa e não substituem avaliação própria, independente e criteriosa por parte do leitor. Desempenhos passados não representam garantia de resultados futuros. Assim, toda decisão tomada com base neste conteúdo é de responsabilidade exclusiva do leitor, não podendo a Formadores de Mercado ser responsabilizada por eventuais perdas, danos ou prejuízos decorrentes de seu uso ou interpretação.