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Bitcoin Rompeu $65.000 Pela 1ª Vez em Três Semanas: O CPI Frio Derrubou as Apostas de Alta de Juros de 43% Para 13%

15 de julho de 2026 · O Bitcoin tocou $65.100 nesta quarta-feira, o maior nível desde 22 de junho, num rally que foi disparado pelo CPI de junho divulgado ontem. O dado veio mais frio que o esperado em todas as métricas, e a reação dos mercados de juros foi imediata e violenta: as apostas de uma alta de juros do Fed em julho despencaram de 43% para 13% em questão de horas. O movimento gerou aproximadamente $1,1 bilhão em liquidações, boa parte em posições vendidas que foram pegas no short squeeze. O detalhe mais forte do dado: o CPI núcleo, que exclui energia e alimentos e é o que o Fed mais observa, caiu para 2,6% anual, abaixo dos 2,9% de maio e abaixo do consenso de 2,8% a 2,9%. Isso importa porque significa que o alívio não veio apenas da gasolina mais barata, mas de uma moderação mais ampla de preços. Ainda assim, dois fatores impedem a euforia: o presidente do Fed, Kevin Warsh, reagiu ao dado de forma dura, dizendo que quem acha que a missão está cumprida “não tem a minha visão”, e o petróleo voltou a subir acima de $85 com o conflito EUA-Irã reacendido. Esta newsletter explica por que o rally é real, mas ainda não é um rompimento durável.

Tempo de leitura: ~6 min

Bitcoin

$65.100

máxima desde 22 de junho · agora perto de $64.600 · +3,6% em 24h · +3,3% na semana · $1,1 bilhão em liquidações no short squeeze

Apostas de alta em julho

43% → 13%

colapso em horas após o CPI · yield do Treasury de 2 anos caiu 6 pontos-base · foco do mercado migra para o FOMC de setembro

CPI núcleo (anual)

2,6%

caiu de 2,9% em maio · núcleo mensal: 0,0% · abaixo do consenso · aluguel subiu só 0,1%, menor em 5 anos · sinal de moderação ampla

Petróleo (Brent)

Acima de $85

+11% em duas sessões · Trump ameaçou novos ataques ao Irã · EUA retomaram bloqueio do Estreito de Hormuz · risco de reverter o alívio no CPI de julho


O dado que virou o jogo: apostas de alta de 43% para 13%

O CPI de junho, divulgado ontem, veio mais frio que o esperado em todas as métricas. A inflação anual caiu para 3,5%, abaixo dos 3,8% projetados e bem abaixo dos 4,2% de maio, que havia sido o pico de três anos. A leitura mensal caiu 0,4%, quando o consenso esperava queda de apenas 0,1%, marcando o maior recuo mensal desde abril de 2020. O índice de energia despencou 5,7% no mês, com a gasolina caindo 9,7%.

A reação dos mercados de juros foi imediata. As apostas implícitas de uma alta de juros em julho, medidas pelo CME FedWatch, colapsaram de 43% para 13% logo após a divulgação. O yield do Treasury de 2 anos, o mais sensível às expectativas de política do Fed, caiu 6 pontos-base. O Bitcoin, que vinha operando perto de $62.000, disparou para tocar $65.100, o maior nível desde 22 de junho, antes de recuar levemente para a faixa dos $64.600.

O movimento foi amplificado por um short squeeze. Com o mercado tão pessimista nas últimas semanas, muitos traders estavam posicionados vendidos, apostando na queda. Quando o CPI frio disparou o rally, essas posições vendidas foram liquidadas em cascata, gerando aproximadamente $1,1 bilhão em liquidações que aceleraram a alta. O Ether foi o destaque, subindo 5,3% no dia para perto de $1.880.


Por que o núcleo em 2,6% é o número que mais importa

A manchete de 3,5% chama a atenção, mas o número que os analistas de Fed mais observam é o CPI núcleo, que exclui energia e alimentos. E aqui está a surpresa positiva de verdade: o núcleo caiu para 2,6% anual, de 2,9% em maio, com variação mensal de 0,0%. O consenso esperava algo entre 2,8% e 2,9%. A diferença é importante e muda a leitura do dado.

Se apenas o headline tivesse caído por causa da gasolina, o mercado leria como alívio temporário, ligado ao petróleo, sujeito a reverter. Mas o núcleo caindo mostra que a moderação de preços é mais ampla. Os dados por baixo do capô reforçam isso: o aluguel, que tem sido um dos componentes mais persistentes da inflação, subiu apenas 0,1%, o menor aumento mensal em cinco anos. Preços de carros usados caíram 0,6% e vestuário caiu 0,6% no mês. O UBS resumiu: apesar de alguns componentes voláteis terem puxado o núcleo para baixo, o dado é consistente com a visão de que maio foi provavelmente o pico da inflação americana neste ciclo.

É por isso que a analista Heather Long, da Navy Federal Credit Union, disse que junho finalmente trouxe algum alívio na inflação, o que tira a pressão do Fed e permite ao banco central esperar para ver o que acontece. Mas ela completou com a ressalva que define o momento: a preocupação é que esse alívio seja de curta duração, porque a guerra no Irã recomeçou.

⚠️ Aviso importante: as análises acima têm caráter exclusivamente informativo. A Formadores de Mercado não recomenda a compra ou venda de nenhum ativo. Criptoativos envolvem alto risco de perda.


O contraponto de Warsh: por que o Fed não comemorou

Enquanto o mercado comemorava, o presidente do Fed, Kevin Warsh, jogou água fria. Testemunhando no Congresso no mesmo dia da divulgação, Warsh foi direto: “Pode haver alguns que olhem para os dados desta manhã e digam: ah, missão cumprida, está tudo ótimo. Essa não é a minha visão.” A declaração deixou claro que um único dado favorável não muda a postura data-dependent e cautelosa que ele adotou desde que assumiu.

A cautela de Warsh tem lógica. O núcleo em 2,6%, embora em queda, ainda está acima da meta de 2% do Fed. E parte da melhora do núcleo veio de categorias voláteis, como serviços de transporte, comunicação e hospedagem, que o próprio Fed costuma descontar ao avaliar a tendência de fundo. Como resumiu Jeff Ko, analista-chefe da CoinEx: o dado reduz a pressão de baixa imediata sem construir um rompimento durável. E o núcleo elevado dá ao Fed espaço para manter os juros, não razão para cortar.

O resultado prático é que o foco do mercado se deslocou. A alta de juros em julho, que parecia possível na semana passada, saiu praticamente da mesa com as odds em 13%. Mas os traders continuam esperando uma possível alta em setembro, com probabilidade de cerca de 63%, segundo o CME FedWatch. O FOMC de 28-29 de julho deixou de ser o evento de risco de alta, e o de setembro assumiu esse papel. Warsh manteve o forward guidance eliminado e se recusou a dar qualquer cronograma para cortes.


O alívio que pode já estar acabando: petróleo acima de $85

A ironia do CPI de junho é que ele descreve com precisão um mês, junho, cujas condições já não valem mais. A queda de energia que puxou a inflação para baixo veio da queda do petróleo na segunda metade de junho, quando o acordo de cessar-fogo de 17 de junho fez o Brent recuar. Mas esse acordo colapsou em 8 de julho, e o petróleo voltou a subir com força.

O Brent avançou 1% nesta quarta para acima de $85 por barril, o terceiro dia consecutivo de ganhos, depois que Trump ameaçou novos ataques ao Irã e os EUA retomaram o bloqueio naval do Estreito de Hormuz. O petróleo subiu aproximadamente 11% em duas sessões. Isso significa que o CPI de julho, que sai em meados de agosto, provavelmente vai mostrar inflação de energia subindo de novo, revertendo parte do alívio que impulsionou o Bitcoin hoje. A plataforma Polymarket precifica apenas 3% de chance de o tráfego no Estreito de Hormuz voltar ao normal até 31 de julho.

É por isso que o Bitcoin, apesar do rally, não conseguiu romper $65.000 de forma decisiva no primeiro impulso. Os touros estão cautelosos justamente porque sabem que o alívio de inflação pode ser temporário. O analista da CryptoSlate resumiu: o Bitcoin está reagindo a um relatório que descreve junho com precisão, mas junho oferece apenas um guia aproximado para as condições de preço que estão se formando em julho.


O que isso significa para o investidor brasileiro

Para o investidor brasileiro, o dia de hoje traz três leituras. A primeira: o CPI frio foi genuinamente positivo, e a queda do núcleo para 2,6% é o sinal mais forte em meses de que a inflação americana pode ter passado do pico. Isso removeu o risco mais imediato de alta de juros em julho, o que é estruturalmente favorável para ativos de risco como o Bitcoin.

A segunda leitura é a ressalva que impede a euforia. Warsh continua hawkish, o núcleo ainda está acima da meta, e o petróleo subindo com o conflito EUA-Irã ameaça reverter o alívio já no CPI de julho. O rally de hoje é real, mas construído sobre uma base que ainda depende de fatores geopolíticos fora do controle do mercado. Como disse o analista da CoinEx, o Bitcoin continua sendo um ativo de risco sensível a juros, não um hedge macro, pelo menos por enquanto.

A terceira leitura é sobre o que observar a seguir. O evento de risco migrou de julho para o FOMC de setembro. Entre agora e lá, os dados a monitorar são o CPI de julho, que dirá se o petróleo reverteu o alívio, e os fluxos dos ETFs, que precisam confirmar que a demanda institucional está voltando. O contexto estrutural de longo prazo permanece: o 5º evento histórico de capitulação foi registrado, e a camada institucional identificada pela Bitwise segue presente. O CPI de hoje é uma boa notícia, mas uma boa notícia não é uma tendência confirmada.

A frase que melhor resume o momento veio do analista Jeff Ko, da CoinEx: o dado reduz a pressão de baixa imediata sem construir um rompimento durável. É a diferença entre um alívio e uma virada. O mercado ganhou fôlego, as apostas de alta de juros em julho evaporaram, e o Bitcoin voltou ao topo do seu range recente. Mas o rompimento durável, aquele que levaria o Bitcoin de volta a uma tendência de alta sustentada, ainda depende do petróleo recuar, do CPI de julho confirmar a desinflação, e do FOMC de setembro não trazer a alta que o mercado agora empurrou para frente.

⚠️ Aviso importante: toda análise acima tem caráter exclusivamente informativo. A Formadores de Mercado não recomenda a compra ou venda de nenhum ativo. Criptoativos podem perder valor de forma rápida e total.

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Davidson Luciano - @mcmanocall (X)

Analista técnico e criador do método CriptoFlow

Este artigo possui caráter exclusivamente informativo, educacional e opinativo, não constituindo recomendação de investimento, oferta, solicitação ou garantia de rentabilidade em relação a bitcoin, criptoativos ou quaisquer outros ativos. As informações, análises, opiniões e projeções aqui contidas têm finalidade meramente informativa e não substituem avaliação própria, independente e criteriosa por parte do leitor. Desempenhos passados não representam garantia de resultados futuros. Assim, toda decisão tomada com base neste conteúdo é de responsabilidade exclusiva do leitor, não podendo a Formadores de Mercado ser responsabilizada por eventuais perdas, danos ou prejuízos decorrentes de seu uso ou interpretação.