Por mais que o Bitcoin pareça um pouco incoerente para o mercado tradicional de hoje — um ativo sem empresa, sem sede, sem CEO e sem ninguém responsável pelos seus retornos não é normal — o mercado já o tratou como algo muito mais especulativo e desconfiável do que isso. Não é todo dia que aparece um ativo que promete se tornar o dinheiro do futuro sem ter nada disso por trás.
Tudo que o Bitcoin já foi
Um projeto experimental, sem valor de mercado real, circulando em fóruns que a maioria das pessoas nunca visitou. A galera mais obscura da internet.
Começando a ser associado a meios de pagamento descentralizados, mas ainda fortemente ligado a mercados ilegais. Esse estigma persiste até hoje em parte do público.
Pessoas compravam sem saber exatamente o porquê. Alta de 2.000% em um ano, seguida de queda de 84%. O Bitcoin ficou mundialmente conhecido — mas não necessariamente pela razão certa.
Com a entrada dos primeiros grandes institucionais, a narrativa muda — mas o estigma ainda era grande. O mercado tinha acabado de ver o ativo derreter 84%. Foi a partir daqui que a visão começou a mudar de forma estrutural.
Fundos de pensão, ETFs aprovados nos EUA, países adotando o Bitcoin como reserva estratégica real. Essa fase ainda está acontecendo — e o mercado tradicional está ouvindo falar sobre o Bitcoin cada vez mais.
Por que só agora?
O Bitcoin sempre teve usuários — dos mais suspeitos aos mais conservadores. Mas por que o mercado tradicional só está ouvindo agora?
A resposta está no tempo. O Bitcoin precisava provar que sobrevivia.
E sobreviveu. O protocolo passou por algumas das situações mais adversas que um ativo poderia enfrentar — e continuou funcionando, sem interrupção, sem resgate, sem banco central para salvar:
Onde o Bitcoin está hoje no mercado tradicional
O Bitcoin está entre os 20 maiores ativos do mundo, com valor de mercado próximo de US$1,21 trilhão. No pico histórico de outubro de 2025, chegou à 7ª posição no ranking global — à frente de gigantes como Google e Amazon. Esse número representa cerca de 0,1% da riqueza global total. Parece pouco, mas o ouro levou séculos para consolidar seu papel e vale hoje 28 trilhões. O Bitcoin já equivale a 4% disso, em apenas 15 anos.
Esse crescimento não aconteceu no vácuo. Em janeiro de 2024, a SEC — o principal órgão regulador do mercado financeiro norte-americano — aprovou os primeiros ETFs spot de Bitcoin nos EUA. Mais do que uma aprovação regulatória, foi um sinal claro de que o maior mercado financeiro do mundo não vai interferir negativamente no ativo. E o mercado reagiu na mesma proporção.
Os ETFs spot acumularam mais de 115 bilhões de dólares em ativos sob gestão até o final de 2025. O IBIT da BlackRock sozinho detém mais de 763.000 bitcoins — quantidade que supera as reservas combinadas de todos os governos do mundo. E não é por acaso que Larry Fink, CEO da BlackRock e gestor de 10 trilhões de dólares em ativos globais, publicamente chamou o Bitcoin de “o novo ouro”. Quando ele fala isso, não é comentário. É um sinal para cada fundo de pensão, endowment e fundo soberano na rede de distribuição da BlackRock de que exposição ao Bitcoin é aceitável — e desejável.
Se o mercado privado já se moveu, os governos não ficaram para trás. Os EUA criaram sua Reserva Estratégica de Bitcoin em março de 2025, com aproximadamente 198.000 BTC. El Salvador acumula 7.643 BTC em reserva desde 2021. Paquistão anunciou a sua em 2026. Argentina, Brasil, Hong Kong e Japão têm projetos em andamento nos seus parlamentos.
Onde isso pode chegar
Ninguém sabe. Mas dá para fazer as contas.
As reservas de ouro dos Estados Unidos valem mais de $1 trilhão. Se o governo americano decidisse alocar 10% disso em Bitcoin — algo que ainda não aconteceu, mas que alguns senadores já propuseram — seriam $100 bilhões de dólares entrando num ativo com market cap de $1,2 trilhão. Isso sozinho moveria o mercado de uma forma que poucos ativos já viram.
Mas existe um cenário ainda maior, e ele passa pelos fundos de pensão. Os 300 maiores do mundo somam $24,4 trilhões em ativos — os 20 maiores sozinhos representam $10,3 trilhões, com Noruega ($1,77T) e Japão ($1,5T) no topo. Se apenas os 20 maiores alocassem 1% do patrimônio em Bitcoin, seriam $103 bilhões entrando no ativo.
Esse movimento já tem caminho aberto: os ETFs spot eliminaram a barreira de custódia direta, a BlackRock criou o precedente institucional ao chamar o Bitcoin de “o novo ouro”, e cada fundo que aloca pressiona os concorrentes a justificar por que ainda não o fizeram.
Hoje o Bitcoin representa 0,1% da riqueza global. Se passar para 0,5% — ainda cinco vezes menor do que o ouro representa hoje — o preço por Bitcoin estaria próximo de $227.000. Se chegar a 1%, na casa dos $450.000. Não são garantias. São trajetórias matemáticas de um ativo que, toda vez que foi subestimado, surpreendeu.
Este artigo tem caráter exclusivamente educacional. Não constitui recomendação de investimento, análise de mercado ou aconselhamento financeiro. Projeções de preço citadas são opiniões de terceiros e não refletem posição da Formadores de Mercado. Investimentos em criptoativos envolvem riscos e devem ser feitos por sua própria conta e risco.
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