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Bitcoin Fechou Junho com a Pior Performance Desde 2022: $4,5 Bilhões Saíram dos ETFs e a MM200 Semanas Foi Quebrada

1 de julho de 2026 · Junho acabou, e os números contam a história sem ambiguidade. Bitcoin caiu 20,48% no mês, o pior desempenho mensal desde junho de 2022, quando perdeu 37,28% durante o colapso da FTX. No acumulado de 2026, o BTC acumula queda de 33% enquanto o S&P 500 sobe mais de 9%. Os ETFs americanos de Bitcoin registraram $4,5 bilhões em saídas no mês, o pior desde o lançamento em janeiro de 2024, superando o recorde anterior de $3,48 bilhões de fevereiro de 2025 em 29%. O IBIT da BlackRock, o maior ETF de Bitcoin do mundo, sozinho respondeu por $3,55 bilhões, ou 79% do total. E numa semana que encerrou com o preço perto de $58.000, o Bitcoin fechou abaixo da Média Móvel de 200 semanas pela primeira vez desde 2023. São muitos números ruins num único parágrafo. Mas há uma diferença estrutural entre o que aconteceu em junho de 2022 e o que está acontecendo agora, e ela importa tanto quanto os dados negativos: este ciclo ainda não teve nenhuma grande falência.

Tempo de leitura: ~7 min

Desempenho de junho

-20,48%

pior mês desde jun/2022 (-37,28%) · BTC -33% no ano · S&P 500 +9% no mesmo período · 4 dos 6 primeiros meses de 2026 no negativo

ETFs: saída mensal (recorde)

$4,5B

pior mês desde jan/2024 · +29% acima do recorde anterior · IBIT: $3,55B (79% do total) · 9 dias seguidos de saída para fechar junho

MM200 semanas

Fechamento abaixo

1ª semana fechada abaixo desde 2023 · mínima de $57.891 · breakdowns perto de fundos profundos de ciclo historicamente

Diferença estrutural

Zero falências

sem grande insolvência no setor · desalavancagem contida · LT holders e baleias acumulando · sem crise sistêmica


Os números de junho: o que cada dado diz

Junho de 2026 foi o pior mês de Bitcoin em quatro anos. A queda de 20,48% deixou o ativo em $58.643 na virada para julho, com uma mínima intradiária de $57.891. Bitcoin fechou quatro dos seis primeiros meses de 2026 no negativo. Para comparação: em junho de 2022, o BTC caiu 37,28%, no contexto de colapso da LUNA, Three Arrows Capital e com a FTX ainda de pé mas já deteriorada.

Junho 2022 vs. junho 2026: a comparação que importa

Dimensão Junho 2022 Junho 2026
Queda no mês -37,28% -20,48%
Contexto Crise sistêmica interna: LUNA, 3AC, Celsius, Voyager Crise macro externa: guerra EUA-Irã, Fed hawkish, rotação para SPCX
Grandes falências LUNA, 3AC, Celsius, Voyager, BlockFi Nenhuma até agora
ETFs existiam? Não Sim, com $71B em AUM após saídas
LT holders Capitulação significativa Acumulação de 125.000 BTC em junho · baleias comprando
O que veio depois FTX em nov/2022 · fundo em $15.500 · BTC foi para $126K Em formação

Os $4,5 bilhões em saídas dos ETFs: o que está por trás

Os ETFs de Bitcoin americanos registraram $4,5 bilhões em saídas em junho, superando o recorde anterior em 29%. O IBIT da BlackRock respondeu sozinho por $3,55 bilhões, incluindo $212 milhões no último dia do mês, encerrando com nove dias consecutivos de resgates. Os ativos totais dos ETFs caíram de aproximadamente $83 bilhões no início de junho para cerca de $71 bilhões ao fim do mês.

Dois catalisadores são identificados como os principais responsáveis pela aceleração. O IPO da SpaceX em 12 de junho absorveu enormes volumes de capital de risco, enquanto a primeira reunião de Warsh como chair do Fed deslocou o dot plot na direção de altas de juros, removendo o ambiente de dinheiro fácil que havia sustentado o rally recente do Bitcoin.

Isto não foi pânico de varejo. O IBIT respondeu por aproximadamente 75 a 79% das saídas, apontando para um evento institucional e ordenado. Paul Howard, da Wincent, disse ao The Block: “As saídas de ETFs parecem ser impulsionadas principalmente por uma rotação macro mais ampla, não por deterioração nos fundamentos de longo prazo do Bitcoin. Juros elevados, incerteza geopolítica e um ambiente macro mais cauteloso encorajaram as instituições a reduzir exposição a ativos de maior volatilidade.”

Uma divisão importante dentro dos próprios ETFs: nem todas as categorias ficaram negativas. Os ETFs de XRP captaram $59,46 milhões líquidos em junho. Os ETFs de Hyperliquid lideraram com $161,05 milhões em entradas. O capital rodou dentro do cripto em vez de sair inteiramente.

O dado mais preciso sobre quem estava comprando enquanto o IBIT vendia: a Strategy comprou 520 Bitcoin em junho a um preço médio de $67.068, e a Strive acumulou a preços semelhantes. Esta é a estrutura de demanda do mercado: gestores institucionais de portfólio saindo pelo produto mais credenciado que o Bitcoin já teve, substituídos por alocadores de tesouraria corporativa comprando por convicção. Como resumiu a análise da Citi: “ETF flows, not Strategy’s sale, remain key Bitcoin driver.” Quando o IBIT perde $3,5 bilhões, o mercado sente. Quando a Strategy compra $35 milhões, não.


A MM200 semanas quebrada: o que o histórico diz sobre esse nível

Bitcoin fechou abaixo de sua Média Móvel de 200 semanas pela primeira vez desde 2023. Não foi apenas um toque intradiário: foi um fechamento semanal abaixo do nível, o dado técnico mais significativo. A MM200w estava em torno de $58.000 no fechamento. O único momento anterior em que o Bitcoin sustentou um fechamento semanal abaixo dessa média foi durante o colapso da FTX em novembro de 2022.

O analista Matthew Hyland argumentou que o declínio atual em termos percentuais se assemelha mais às correções de meio de ciclo de 2019 e 2021 do que aos bear markets profundos de 2014, 2018 e 2022. O Barchart publicou que “historicamente, este tem sido um ótimo ponto de compra.” Para que o sinal técnico mude de bearish para neutro, o Bitcoin precisa não apenas voltar acima de $58.000, mas sustentar fechamentos semanais acima dessa média por pelo menos duas ou três semanas consecutivas.

⚠️ Aviso importante: análise técnica e dados históricos têm caráter exclusivamente informativo. A Formadores de Mercado não recomenda a compra ou venda de nenhum ativo. Padrões históricos não garantem resultados futuros. Criptoativos envolvem alto risco de perda.


A diferença crucial de 2022: sem grande falência, sem crise sistêmica

O paralelo com junho de 2022 é tentador pelos números, mas incompleto pela estrutura. Em 2022, a queda era acompanhada por uma cascata de falências sistêmicas dentro do próprio setor: LUNA em maio, Three Arrows Capital em junho, Celsius e Voyager congelaram saques no mesmo mês, e a FTX viria em novembro.

A queda de 2026 tem causa diferente: é macro, não endógena. Este ciclo não teve nenhuma grande insolvência relacionada a alavancagem ou fraude. A maior parte da desalavancagem permaneceu contida nos mercados descentralizados. O analista Ed Engel, da Compass Point, disse que a Strategy estava se tornando o principal candidato dos bears a uma grande falência, mas a empresa levantou mais de $1 bilhão para reforçar reservas de caixa, easing concerns sobre liquidez e capacidade de pagar dividendos.

Os dados on-chain confirmam essa leitura. A CryptoQuant reportou que os holders de longo prazo continuaram acumulando e a acumulação por baleias permaneceu resiliente apesar do pânico de venda de curto prazo. É a mesma divergência documentada ao longo de junho: ETFs sangrando, smart money comprando.


O que isso significa para o investidor brasileiro

Junho de 2026 encerra com o Bitcoin numa posição técnica e de sentimento que é objetivamente a pior do ciclo. Mas o contexto estrutural permanece: o 5º evento histórico de capitulação extrema já ocorreu, o Sharpe Ratio tocou a mínima que marcou todos os fundos de ciclo desde 2015, e a desalavancagem aconteceu sem as grandes falências que amplificaram os fundos de 2022.

A semana que começa hoje traz cinco dados macro que podem definir o tom do segundo semestre. O Payroll de quinta-feira é o mais importante: se vier fraco, reabre a janela para o Fed reconsiderar o dot plot hawkish. Se vier forte, consolida o cenário de alta de juros como caso-base.

Para quem investe com horizonte de anos: os compradores que entraram nas últimas vezes em que a MM200 semanas foi quebrada, em 2019 e em 2022, capturaram os maiores retornos do ciclo subsequente. O “time pain” pode continuar por meses. Mas quem vende durante essa fase perde exatamente a oportunidade que ela representa.

Cauê Oliveira, Head de Research da Formadores de Mercado, havia antecipado esta fase em junho: “Eu já tinha falado que ainda poderíamos sofrer mais prejuízo, não necessariamente mais queda de preço, mas mais prejuízo. O preço voltou para onde já estava em fevereiro, mas o nível de prejuízo foi muito maior. Isso faltava ainda.” Junho entregou exatamente esse nível de prejuízo, com o BTC perto de $58.000 e a oferta em lucro na rede em mínimas históricas do ciclo.

⚠️ Aviso importante: toda análise acima tem caráter exclusivamente informativo. A Formadores de Mercado não recomenda a compra ou venda de nenhum ativo. Dados históricos não garantem resultados futuros. Criptoativos podem perder valor de forma rápida e total.

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Davidson Luciano - @mcmanocall (X)

Analista técnico e criador do método CriptoFlow

Este artigo possui caráter exclusivamente informativo, educacional e opinativo, não constituindo recomendação de investimento, oferta, solicitação ou garantia de rentabilidade em relação a bitcoin, criptoativos ou quaisquer outros ativos. As informações, análises, opiniões e projeções aqui contidas têm finalidade meramente informativa e não substituem avaliação própria, independente e criteriosa por parte do leitor. Desempenhos passados não representam garantia de resultados futuros. Assim, toda decisão tomada com base neste conteúdo é de responsabilidade exclusiva do leitor, não podendo a Formadores de Mercado ser responsabilizada por eventuais perdas, danos ou prejuízos decorrentes de seu uso ou interpretação.