Formadores de Mercado

Bitcoin Tocou $61.500 de Madrugada — O Pior Início de Junho do Ciclo em Dados

4 de junho de 2026 · Às 3h da manhã, horário de Brasília, o Bitcoin tocou $61.500 — a mínima desde fevereiro de 2026 e o nível mais baixo em relação ao ATH desde o início do ciclo pós-halving. A recuperação para $63.600 nas horas seguintes não mudou o quadro: em quatro dias de junho, o Bitcoin caiu mais de 13% na semana, liquidou mais de $4 bilhões em posições alavancadas e acumula 12 dias consecutivos de saída nos ETFs americanos. Ao mesmo tempo, uma ferramenta on-chain da CryptoQuant disparou um sinal de venda que não era visto desde o bear market de 2022. E o Fed, que o mercado esperava manter juros estáveis até pelo menos agosto, tem oficiais declarando publicamente que novas altas não estão descartadas. Esta newsletter olha para esses dados sem exagero e sem minimização — com o objetivo de colocar o momento atual no contexto correto.

Tempo de leitura: ~6 min

Mínima da madrugada

$61.500

nível mais baixo desde fevereiro · recuperou para ~$63.600 · -13% na semana · -50% do ATH de $126K

Liquidações acumuladas (4 dias)

$4B+

$1,63B ontem · $1,86B na quarta · $402M na segunda · 85–95% de posições compradas em cada evento

ETF streak (recorde)

12 dias

saídas consecutivas · -$3,9B acumulados desde 11/mai · maior streak desde o lançamento em jan/2024

Demanda on-chain (CryptoQuant)

-232K BTC/mês

demanda mensal caindo 232.000 BTC · sinal de venda disparado pela 1ª vez desde 2022 · ações em máximas, BTC em mínimas


O que aconteceu esta semana — o pior início de junho do ciclo

Junho começou com o Bitcoin em torno de $72.000 — fraco, mas estável. Em quatro dias, o mercado atravessou três suportes considerados críticos em sequência. A segunda-feira trouxe o anúncio da venda de 32 BTC pela Strategy e $402 milhões em liquidações. A terça, a movimentação de $739 milhões do Mt. Gox e o BTC perfurando $70.000. A quarta, a continuação das saídas de ETF e o BTC fechando em $64.721 — mínima desde fevereiro. E na madrugada desta quinta, o BTC tocou $61.500 antes de recuperar para $63.600.

O padrão que se repetiu em cada um desses movimentos é o mesmo: um evento de headline — real ou simbólico — encontrou um mercado com alta alavancagem comprada e baixa liquidez. Cada queda forçou liquidações de longs. Cada liquidação gerou mais queda. Cada nova queda forçou mais liquidações. É o ciclo clássico de desalavancagem em cascata, e ele continua enquanto houver longs excessivos para ser eliminados. O dado que indica quando esse ciclo para: o funding rate dos futuros perpétuos. Enquanto estiver positivo — indicando que traders ainda pagam prêmio para ficar comprados — há mais longs para liquidar. Quando o funding zerar ou virar negativo, a maior parte da desalavancagem terá acontecido.

O volume de negociação de ontem foi de $393 bilhões — mais que o dobro dos $143 bilhões de quarta. Volume alto durante quedas é ambíguo: pode indicar capitulação (muita gente saindo ao mesmo tempo, o que historicamente marca fundos) ou pode indicar que a venda ainda tem força e participação. O que o contexto atual sugere: é uma mistura dos dois, com traders de varejo saindo e alguns institucionais cobrindo posições vendidas — não ainda uma entrada de nova demanda compradora.


Os dados que definem o estado real do mercado

O estado atual — cada indicador e sua leitura

Indicador Leitura Interpretação
Preço BTC ~$63.600 Abaixo de todas as médias móveis principais (20, 50, 100 dias). Estrutura técnica firmemente bearish
ETF streak 12 dias · -$3,9B Maior streak desde jan/2024. Canal institucional em reversão — a demanda que sustentou o ciclo está ausente
Demanda on-chain -232K BTC/mês Queda de demanda mensurável. Sinal CryptoQuant ativado pela 1ª vez desde 2022 confirma contração real
Fear & Greed ~20 · Extreme Fear Leituras abaixo de 15–20 historicamente marcaram fundos. Ainda não chegou ao extremo de 2022 (abaixo de 10)
Liquidações acumuladas (semana) $4B+ · 85–95% longs Desalavancagem massiva em andamento. Volume de liquidações diminuiu de ontem para hoje — possível esgotamento próximo
MM100 semanas ~$81.830 · BTC abaixo Historicamente, BTC nunca fechou uma semana inteira abaixo da MM100w. Manter esse nível como referência estrutural
Holders de longo prazo Sem capitulação Estrutura dos LT holders se mantém — não há venda em pânico de quem acumula há mais de 155 dias

O sinal da CryptoQuant — o que ele diz e o que não diz

A CryptoQuant reportou hoje que um dos seus indicadores proprietários disparou um sinal de venda pela primeira vez desde o bear market de 2022. O indicador rastreia a variação mensal da demanda por Bitcoin — medida pela diferença entre o volume de BTC entrando em carteiras ativas versus saindo. A leitura atual mostra que a demanda líquida está caindo a uma taxa de 232.000 BTC por mês — o que significa que, mês a mês, há menos Bitcoin sendo adquirido por novos compradores do que sendo distribuído por holders existentes.

O que esse sinal diz: a demanda estrutural pelo ativo está se contraindo. Isso não é ruído de curto prazo — é um dado de tendência que reflete semanas de comportamento de mercado. O fato de não ter aparecido desde 2022 é significativo: em 2023, 2024 e na maior parte de 2025, esse indicador estava positivo, mostrando que havia absorção líquida de Bitcoin pelo mercado. Agora, esse fluxo inverteu.

O que esse sinal não diz: ele não prediz quanto tempo dura essa contração nem o nível exato de preço onde ela para. Em 2022, o sinal permaneceu ativo por meses antes de o Bitcoin encontrar seu fundo em $15.500. Em outros episódios históricos menores, durou semanas. O dado é válido como confirmação de que a fraqueza atual não é acidente — é um desequilíbrio real entre oferta e demanda. Mas não tem precisão suficiente para ser usado como timing de entrada ou saída.

O dado que contextualiza o sinal da CryptoQuant: o S&P 500 está perto de máximas históricas enquanto o BTC cai 50% do ATH. O desacoplamento é real e documentado. Isso pode ter duas leituras: (1) o Bitcoin está sendo precificado como ativo de risco de alta beta que perdeu narrativa em um ciclo de IA — com capital rotacionando para Nvidia, SPCX e outros proxies de tech; ou (2) o Bitcoin está adiantado em descontar uma desaceleração econômica que as ações ainda não viram. O analista Lark Davis favorece a segunda leitura — e ela tem precedentes históricos, com o BTC tendo antecipado movimentos macro antes que o mercado de ações reagisse.


O Fed e a inflação — o maior driver ainda não precificado

O desenvolvimento macro mais novo e mais impactante desta semana não foi nem a queda do Bitcoin nem o Mt. Gox. Foi a declaração de oficiais do Fed de que novas altas de juros não estão descartadas. Até poucos dias atrás, o mercado precificava zero chance de alta e apenas 6% de chance de corte antes de setembro. Agora, com a inflação persistindo acima de 3% por causa do petróleo elevado pela guerra EUA-Irã e com o mercado de trabalho ainda robusto, o Fed se encontra na mesma posição de 2022: sem a combinação de fatores que justifica facilitar a política monetária.

Para o Bitcoin, a implicação é direta e brutal. O relatório de research da Formadores de Mercado identificou que o ciclo 2022 foi o único em que o Fed enfrentou inflação alta com emprego forte e apertou sem hesitar — produzindo uma queda de 77% no BTC. O cenário atual tem semelhanças preocupantes: inflação acima da meta, Fed sem espaço para cortar, guerra gerando pressão persistente no petróleo. A diferença estrutural é que o custo fiscal do aperto continuado é muito maior agora do que em 2022 — com $10–12 trilhões em dívida a ser rolada em 2027–2029, o Fed tem menos capacidade de manter juros elevados por anos consecutivos.

O próximo dado relevante para entender o caminho dos juros: o relatório de empregos (NFP) de junho, que sai na próxima semana. Emprego forte confirma que o Fed pode manter o aperto. Emprego fraco abre a janela para cortes e seria o maior catalisador positivo para o BTC no curto prazo.

⚠️ Aviso importante: as análises acima têm caráter exclusivamente informativo. A Formadores de Mercado não recomenda a compra ou venda de nenhum ativo. Criptoativos e qualquer ativo de risco envolvem possibilidade real de perda total do capital investido.


Os suportes reais e o próximo catalisador positivo

Com o Bitcoin em $63.600, abaixo de todas as médias móveis principais e com o indicador de demanda negativo, o exercício mais útil é mapear onde estão os suportes com base on-chain e o que poderia mudar o sentimento rapidamente.

Suportes, catalisadores e o que monitorar

Nível / Evento Tipo O que significa
$60.000 Suporte psicológico + custo de produção de mineradoras Abaixo de $60K, mineradoras não lucrativas começam a vender. Nível onde o mercado espera suporte real de demanda
$61.500–$64.866 Zona de demanda · mínimas de fev/2026 e Fibonacci Região testada esta madrugada. Manter essa zona é condição para qualquer estabilização de curto prazo
NFP de sexta (próxima semana) Catalisador macro — dados de emprego dos EUA Emprego fraco = Fed pode cortar = catalisador positivo para BTC. Emprego forte = aperto prolongado = mais pressão
IPO SpaceX (12 jun) Catalisador narrativo — $1,45B em BTC no balanço da SPCX Cobertura massiva vai mencionar BTC. Roadshow começa na semana de 8/jun — narrativa institucional pode mudar o sentimento
CLARITY Act — acordo de ética Catalisador regulatório — maior evento legislativo pendente Qualquer sinalização de acordo sobre a cláusula de ética pode mover XRP, SOL e ETH antes de qualquer voto formal

O que isso significa para o investidor brasileiro

A queda desta semana colocou o Bitcoin em território que, pelas métricas de longo prazo, é historicamente raro. Abaixo da zona “Bitcoin is Dead” do Rainbow Chart. Com sinal de demanda negativo pela primeira vez desde 2022. Com ETFs em recorde de saídas. Todos esses dados são simultaneamente alarmes de curto prazo e — para quem investe com horizonte de anos — potenciais pontos de entrada em disconto histórico.

Para o investidor brasileiro, o ambiente tem uma camada adicional: o dólar está forte por causa do ambiente de juros altos nos EUA, o que significa que comprar Bitcoin em reais agora é mais caro em relação ao câmbio do que estava há seis meses — mesmo com o preço em dólar mais baixo. Isso reduz parte do benefício do “desconto” que as métricas em dólar mostram.

O ponto mais importante desta semana não é o número — é o padrão. Mercados que caem por desalavancagem em cascata, sem capitulação de holders de longo prazo, em contexto macro de juros altos, historicamente encontram fundo quando três coisas acontecem simultaneamente: o funding rate dos futuros zera ou vira negativo, o volume de liquidações diminui por alguns dias seguidos, e um catalisador externo muda o sentimento — regulação, macro ou narrativa. Os dois primeiros estão se aproximando. O terceiro ainda não chegou.

Como o relatório de research da Formadores de Mercado publicado esta semana argumentou: “O investimento que se faz em 2026 é em paciência e em preparação. O retorno desproporcional não vem de antecipar o exato dia do gatilho — vem de estar bem posicionado quando o gatilho chegar.” Essa frase foi escrita com o Bitcoin a $73.500. Com o BTC a $63.600, a aritmética do argumento só melhorou — o que mudou é o teste psicológico de mantê-lo.

⚠️ Aviso importante: todas as análises e dados acima têm caráter exclusivamente informativo. A Formadores de Mercado não recomenda a compra ou venda de nenhum ativo. Toda decisão de investimento é de responsabilidade exclusiva do investidor. Criptoativos podem perder valor de forma rápida e significativa.

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Davidson Luciano - @mcmanocall (X)

Analista técnico e criador do método CriptoFlow

Este artigo possui caráter exclusivamente informativo, educacional e opinativo, não constituindo recomendação de investimento, oferta, solicitação ou garantia de rentabilidade em relação a bitcoin, criptoativos ou quaisquer outros ativos. As informações, análises, opiniões e projeções aqui contidas têm finalidade meramente informativa e não substituem avaliação própria, independente e criteriosa por parte do leitor. Desempenhos passados não representam garantia de resultados futuros. Assim, toda decisão tomada com base neste conteúdo é de responsabilidade exclusiva do leitor, não podendo a Formadores de Mercado ser responsabilizada por eventuais perdas, danos ou prejuízos decorrentes de seu uso ou interpretação.