14 de maio de 2026 · Em 13 de maio de 2026, a Charles Schwab publicou uma mensagem no X às 10h24 da manhã que mudou silenciosamente o mercado de cripto: os primeiros clientes já podiam comprar e vender Bitcoin e Ethereum direto na conta da corretora, ao lado das suas ações, fundos e títulos. Sem precisar abrir conta em exchange. Sem precisar aprender a usar uma carteira cripto. Sem sair da plataforma onde já guardam todo o resto do patrimônio. A Schwab gerencia $11,7 trilhões em ativos e serve 39 milhões de contas de corretagem ativas. Para ter dimensão: todos os ETFs de Bitcoin americanos juntos acumularam cerca de $106 bilhões em ativos desde o lançamento em 2024. A Schwab tem 110 vezes esse valor em carteira — e agora os clientes podem transformar qualquer fração disso em BTC ou ETH com um clique. Não é hype. É infraestrutura.
Tempo de leitura: ~6 min
Neste artigo
|
Ativos sob gestão $11,7 tri Charles Schwab · março de 2026 · 110x o total de todos os ETFs de BTC dos EUA |
Contas elegíveis 39,1 mi contas de corretagem ativas · rollout faseado · NY e Louisiana excluídos por ora |
|
Taxa por transação 75 bps 0,75% por trade · Fidelity cobra 1% · Coinbase pode chegar a 4% no varejo |
Custódia e execução Paxos execução e sub-custódia · Schwab Premier Bank guarda os ativos · FDIC não cobre cripto |
O que aconteceu — e por que agora
A Charles Schwab não é uma empresa de cripto. É a maior corretora de varejo dos Estados Unidos, fundada em 1971, com sede no Texas, com mais de 50 anos de história gerenciando ações, fundos, títulos e aposentadoria de americanos comuns. Até terça-feira, 13 de maio de 2026, os clientes da Schwab podiam investir em cripto apenas de forma indireta: ETFs de Bitcoin, futuros, ações de empresas do setor como Coinbase e Strategy. Agora, pela primeira vez, podem comprar os próprios ativos.
O timing não é acidente. Em julho de 2025, o CEO Rick Wurster disse que Schwab pretendia lançar cripto “em breve”. Em abril de 2026, com o regulatório americano mais claro após o GENIUS Act (já lei) e o CLARITY Act avançando no Senado, a empresa anunciou o lançamento faseado. A lógica do CEO era explícita: clientes estavam saindo da Schwab para comprar cripto em plataformas como Coinbase e Robinhood — e depois voltavam para a Schwab com o restante do portfólio. A Schwab estava perdendo a relação com esses clientes durante o momento em que eles mais estavam engajados com seus investimentos.
O lançamento começa com BTC e ETH — os dois ativos com maior clareza regulatória nos EUA. Futuramente, a empresa sinaliza expandir para outras criptos e adicionar transferências de entrada e saída, permitindo que clientes com cripto em outras carteiras tragam os ativos para a Schwab. Por ora, o serviço é de compra e venda dentro da plataforma: não é possível sacar os ativos para uma carteira externa.
O lançamento da Schwab segue uma sequência de grandes corretoras entrando em cripto: Morgan Stanley lançou um ETF de BTC no início de maio, Goldman Sachs protocolou um ETF de renda com Bitcoin, e a Fidelity — pioneira do setor desde 2013 — já permite Bitcoin em planos 401(k) desde 2022. O que muda com a Schwab é o volume: ela é maior do que todas as outras juntas em número de clientes de varejo ativos.
Como o Schwab Crypto funciona na prática
O Schwab Crypto não é uma conta separada no sentido de que o cliente precisa se cadastrar em outra plataforma. É uma conta vinculada à conta de corretagem existente, acessível pelo mesmo login, nas mesmas interfaces: Schwab.com, Schwab Mobile e o Thinkorswim — a plataforma profissional de análise e trading da empresa.
Como o Schwab Crypto funciona — passo a passo
| Aspecto | Como funciona | Detalhe importante |
|---|---|---|
| Acesso | Conta Schwab Crypto vinculada à conta de corretagem existente | Rollout faseado — nem todos os clientes têm acesso imediato. Lista de espera disponível |
| Ativos disponíveis | Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) no lançamento | Mais criptomoedas anunciadas para versões futuras |
| Taxa | 0,75% (75 bps) por transação de compra ou venda | Mais barato que Fidelity (1%) e muito abaixo do Coinbase no varejo (até 4%) |
| Custódia | Charles Schwab Premier Bank SSB guarda os ativos. Paxos faz execução e sub-custódia | Ativos não são FDIC-insured nem SIPC-protected. Risco de perda total existe |
| Saques | Por ora, apenas compra e venda dentro da plataforma | Depósitos e saques para carteiras externas planejados para versões futuras |
| Disponibilidade | Todos os estados americanos exceto Nova York e Louisiana | Restrições regulatórias estaduais explicam as exceções |
Um detalhe que merece destaque: ao contrário de exchanges como Coinbase ou Binance, o Schwab Crypto não permite — por ora — que o cliente transfira os ativos para uma carteira pessoal (self-custody). Os cripto ficam sob custódia da Schwab, o que é tanto uma conveniência quanto uma limitação. Para investidores que valorizam o princípio “not your keys, not your coins”, essa é uma diferença fundamental em relação ao modelo das exchanges nativas de cripto.
Schwab vs. Coinbase vs. Robinhood — quem ganha e quem perde
O lançamento do Schwab Crypto redefine o campo de batalha. O mercado cripto de varejo americano era dominado por três plataformas: Coinbase (a mais conhecida, com modelo de exchange e foco em cripto nativo), Robinhood (voltado para jovens investidores, com zero comissão em ações e taxa em cripto) e Fidelity (a pioneira entre as corretoras tradicionais, com cripto desde 2023). A Schwab entra agora com a maior base de clientes do segmento — e com taxas mais baixas do que todos, exceto Robinhood.
Comparativo de taxas: onde comprar BTC nos EUA agora
| Plataforma | Taxa cripto | Base de clientes | Self-custody |
|---|---|---|---|
| Charles Schwab ★ | 0,75% | 39,1 mi de contas | ❌ Não (por ora) |
| Fidelity | 1,00% | ~45 mi de contas | ❌ Não |
| Robinhood | 0,03%–0,95% | ~24 mi de contas | ✅ Sim |
| Coinbase (varejo) | até 4,00% | ~100 mi de usuários globais | ✅ Sim |
| Kraken | 0,25%–1,5% | ~10 mi de usuários | ✅ Sim |
O maior impacto competitivo é sobre a Coinbase. A exchange americana lidera o mercado de varejo de cripto nos EUA e faturou bilhões com as taxas cobradas de pequenos investidores. A chegada da Schwab — com taxa de 0,75%, presença em todos os estados e uma marca que os americanos mais velhos e de maior patrimônio já confiam — é uma ameaça direta ao segmento mais rentável da Coinbase. As ações da COIN fecharam em queda de 3,14% na terça-feira.
O cenário mais interessante é o inverso: enquanto a Schwab entra no mercado cripto, Coinbase e Kraken estão expandindo para ações. A Coinbase lançou trading de ações com zero comissão em janeiro e a Kraken entrou na mesma semana. O que está acontecendo é uma convergência: as corretoras tradicionais estão virando exchanges de cripto, e as exchanges de cripto estão virando corretoras. O investidor vai ter, cada vez mais, uma conta única para todos os ativos.
A linha que separava “corretora tradicional” de “exchange de cripto” está deixando de existir. A Schwab cobra taxa em cripto e zero em ações; a Coinbase cobra zero em ações e taxa em cripto. Em dois anos, a distinção pode ser irrelevante — o que vai sobrar é diferenciação por produto, confiança de marca e custo total de operação.
Quanto capital novo pode entrar no mercado
A pergunta que todo analista está tentando responder é: de $11,7 trilhões sob gestão na Schwab, quanto vai para cripto? A resposta honesta é que ninguém sabe — e as estimativas variam enormemente dependendo das premissas. Mas os dados disponíveis dão algumas âncoras úteis.
Em uma pesquisa interna da própria Schwab com quase 500 investidores atuais e prospectivos de cripto, os três fatores mais citados ao escolher onde comprar cripto foram: preços baixos e transparentes, familiaridade e reputação da marca, e confiança na segurança dos ativos. A Schwab marca positivo nos três — o que sugere que a barreira de conversão é baixa para quem já era cliente e estava interessado em cripto mas não dava o passo de abrir conta em uma exchange.
Uma referência do mercado: os ETFs de Bitcoin americanos captaram $106 bilhões em ativos desde o lançamento em janeiro de 2024. Se apenas 1% dos ativos sob gestão da Schwab migrar para cripto ao longo de 12 meses, são $117 bilhões — mais do que todo o mercado de ETFs de BTC acumulou em dois anos. Mesmo com 0,1% de alocação, são $11,7 bilhões de capital novo. Isso é suficiente para mover o preço do BTC de forma significativa.
⚠️ Aviso importante: os cenários de alocação acima são exercícios ilustrativos baseados em percentuais hipotéticos, não projeções de mercado. A Formadores de Mercado não recomenda a compra ou venda de nenhum ativo. Criptoativos envolvem alto risco de perda. Avalie seu perfil antes de qualquer decisão de investimento.
O que isso significa para o investidor brasileiro
O Schwab Crypto não está disponível para brasileiros — é um serviço exclusivo para residentes americanos com conta na corretora. Mas o impacto para quem investe em cripto no Brasil é real e vem por dois caminhos.
O primeiro é de preço. Capital novo entrando no mercado americano eleva o preço do BTC e do ETH globalmente — o mesmo Bitcoin que o investidor brasileiro compra na Coinbase, Foxbit ou Mercado Bitcoin é o mesmo que o americano vai comprar no Schwab Crypto. Não há dois mercados separados: é um único preço global. Qualquer fluxo significativo de capital novo proveniente da base de clientes da Schwab vai se refletir no preço que o brasileiro paga.
O segundo é de tendência regulatória. O lançamento da Schwab reforça uma narrativa que está mudando o comportamento das autoridades regulatórias em todo o mundo: cripto é mainstream, não é nicho. Quando a maior corretora de varejo dos EUA passa a oferecer BTC e ETH ao lado de ações do S&P 500, fica mais difícil para qualquer regulador — inclusive o Banco Central do Brasil e a CVM — tratarem criptoativos como instrumentos especulativos de borda do sistema financeiro. A pressão por regulação clara e integração com o sistema financeiro tradicional aumenta globalmente.
Por fim, há o impacto sobre as exchanges nativas de cripto que operam no Brasil. Se o modelo da Schwab se provar bem-sucedido nos EUA — e bancos e corretoras brasileiras seguirem o mesmo caminho —, o diferencial competitivo das exchanges cripto locais vai ser cada vez mais a profundidade de produto (altcoins, DeFi, staking, carteiras) e não simplesmente o acesso ao BTC e ETH. As plataformas que sobreviverem serão as que oferecerem produtos que uma corretora tradicional não pode oferecer.
O Itaú Unibanco já opera a Itaú Digital Assets desde 2023. O Nubank lançou a Nucripto e tem mais de 5 milhões de usuários de cripto no Brasil. O BTG Pactual tem a plataforma BTG Dol e stablecoins próprias. A pergunta não é se os grandes bancos brasileiros vão seguir o caminho da Schwab — é quando e com qual produto. O que a Schwab fez ontem nos EUA é o manual que o mercado brasileiro vai usar nos próximos 12 a 24 meses.
Perguntas Frequentes
Brasileiro pode usar o Schwab Crypto?
Não. O serviço é disponível apenas para residentes americanos com conta na Charles Schwab, excluindo ainda os estados de Nova York e Louisiana. Brasileiros que moram nos EUA e têm conta na Schwab podem se cadastrar na lista de espera.
Os cripto comprados na Schwab são protegidos pelo FDIC como os depósitos bancários?
Não. O FDIC cobre depósitos bancários tradicionais em caso de falência da instituição, mas não se aplica a criptoativos. Os ativos também não são cobertos pelo SIPC, que protege contas de corretagem para ações e títulos. A Schwab deixa isso explícito nos termos do serviço: criptoativos são ativos especulativos que podem perder todo o valor. A custódia é feita pelo Schwab Premier Bank e sub-custódia pela Paxos, mas o risco de mercado e o risco de contraparte são do investidor.
O que é a Paxos e por que ela aparece como parceira da Schwab?
A Paxos é uma infraestrutura de blockchain regulada que oferece serviços de execução e custódia de cripto para grandes instituições financeiras. A empresa já era parceira de tecnologia do PayPal para o PYUSD e de várias outras instituições. No modelo da Schwab, a Paxos processa as ordens de compra e venda e faz a sub-custódia dos ativos — enquanto o Schwab Premier Bank mantém a relação regulatória com o cliente. É o mesmo modelo de “banco como front-end, fintech como back-end” comum no setor financeiro americano.
Por que a Schwab não permite sacar os cripto para carteira própria?
Por uma combinação de razões regulatórias e de produto. Permitir saques para carteiras externas exige que a Schwab lide com a complexidade de múltiplas redes blockchain, endereços de carteiras, taxas de rede variáveis e risco de erros de envio — complexidade que vai além do escopo inicial do produto. A Schwab indicou que depósitos e saques estão planejados para versões futuras, o que sugere que a limitação é de roadmap, não de política permanente. Para investidores que valorizam self-custody, a recomendação é manter as exchanges nativas de cripto para essa parte do portfólio.
✦ Diagnóstico Gratuito ✦
Qual é o seu perfil de
investidor em cripto?
A Schwab abriu cripto para 39 milhões de pessoas. O mercado está mudando — e quem entender o próprio perfil de risco vai estar mais preparado para navegar esse novo momento. Descubra em menos de 3 minutos.
Diagnóstico gratuito →Leva menos de 3 minutos · 100% gratuito