8 de maio de 2026 · No Consensus Miami 2026 ontem, o CEO da Anchorage Digital disse algo que resume o que aconteceu no mercado de stablecoins desde julho de 2025: “Desde que o GENIUS Act foi aprovado, a Anchorage ganhou todos os mandatos de emissão de stablecoin de grande porte.” Há uma fila de 12 a 20 bancos e gigantes de tecnologia esperando para emitir suas próprias stablecoins. Não são startups de crypto. São instituições financeiras tradicionais que até um ano atrás não tinham base legal para fazer isso.
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Neste artigo
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GENIUS Act aprovado em Jul 2025 Senado: 68–30 · bipartidário · lei federal vigente |
Fila na Anchorage 12–20 bancos e gigantes de tech para emitir stablecoins |
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Supply total de stablecoins $245 bi USDT + USDC dominam · recordes consecutivos em 2026 |
Regulações finais da OCC Jul 2026 prazo legal para regulamentação completa |
O que é o GENIUS Act — em linguagem simples
O nome completo é Guiding and Establishing National Innovation for U.S. Stablecoins Act. Foi aprovado no Senado americano em 17 de junho de 2025 por 68 votos a 30 — uma maioria bipartidária incomum para legislação de crypto — e sancionado pelo presidente Trump em 18 de julho de 2025. É a primeira lei federal americana dedicada exclusivamente à regulação de stablecoins.
O que a lei faz em termos práticos é simples: define quem pode emitir uma stablecoin nos EUA, com quais requisitos, e sob supervisão de qual regulador. Antes do GENIUS Act, emitir uma stablecoin era uma área cinzenta regulatória enorme. Dependendo do estado e do modelo de negócio, uma empresa podia ser tratada como banco, como empresa de pagamentos, como fundo de investimento ou simplesmente como entidade não regulada. Essa ambiguidade mantinha bancos e grandes instituições fora do mercado.
As três regras centrais da lei
Primeiro: só entidades autorizadas podem emitir stablecoins para uso por americanos. Essas entidades devem ser subsidiárias de bancos segurados, bancos federais não segurados aprovados, ou emissores estaduais qualificados com menos de $10 bilhões em emissão. Segundo: as stablecoins precisam ser lastreadas 1:1 em dólares ou ativos de baixo risco — como T-bills de curto prazo. Terceiro: stablecoins que seguem as regras da lei não são classificadas como securities nem como commodities — ficam numa categoria regulatória própria, fora da jurisdição da SEC e da CFTC.
A exclusão das stablecoins da definição de security foi a parte mais importante da lei para o setor. Ela encerra anos de incerteza sobre se tokens como o USDC poderiam ser considerados valores mobiliários — o que teria implicações regulatórias devastadoras para todo o ecossistema DeFi que os usa como colateral e liquidez.
O que mudou depois que a lei foi aprovada
O efeito mais imediato do GENIUS Act foi liberar o apetite de instituições que estavam esperando clareza regulatória antes de entrar no mercado de stablecoins. No prazo de semanas após a aprovação, múltiplos bancos e fintechs iniciaram processos formais de licenciamento junto à OCC — o regulador federal de bancos americanos.
A Meta começou a pagar criadores selecionados na Colômbia e nas Filipinas em stablecoin via Stripe. A Visa expandiu sua rede de liquidação em stablecoin para $7 bilhões em taxa anualizada. A Western Union anunciou a USDPT, sua própria stablecoin na rede Solana. A Anchorage lançou com o State Street um fundo de reservas “GENIUS Act-ready” — o primeiro fundo de money market institucional calibrado especificamente para os requisitos de reserva da nova lei.
O supply total de stablecoins na rede Ethereum atingiu recordes consecutivos em 2026, com $180 bilhões em stablecoins na rede. O total global de stablecoins — incluindo Solana, Tron e outras redes — ultrapassou $245 bilhões. Dez meses após o GENIUS Act, o mercado já mostrou que a demanda estava reprimida e esperando apenas uma estrutura legal para se manifestar.
O prazo legal para a regulamentação completa é julho de 2026 — um ano após a lei ser sancionada. A OCC publicou uma proposta de rulemaking em fevereiro de 2026 cobrindo requisitos de capital, liquidez, gestão de reservas e compliance BSA/AML. As regras finais precisam sair até julho. Esse calendário é o que criou urgência para as instituições: quem não estiver posicionado antes de julho vai chegar tarde à primeira onda.
Quem é a Anchorage e por que ela está dominando
A Anchorage Digital foi o primeiro banco de custódia de crypto com charter federal aprovado pela OCC, em janeiro de 2021. Isso a coloca numa posição única: é tecnicamente um banco nacional americano que opera exclusivamente em ativos digitais. Não é uma exchange. Não é uma fintech que pede registro estadual. É um banco federal de crypto — a única instituição desse tipo existente.
Quando o GENIUS Act foi aprovado e as instituições tradicionais começaram a buscar um parceiro para emitir stablecoins, a Anchorage tinha algo que nenhum concorrente tinha: um charter federal já aprovado pela OCC, infraestrutura de compliance bancário e experiência em custodiar ativos digitais em escala institucional. O resultado foi que “ganhou todos os mandatos de grande porte” — nas palavras do próprio CEO Nathan McCauley no Consensus.
Em maio de 2026, a Anchorage anunciou em sequência: parceria com o State Street para lançar um fundo de reservas GENIUS Act-ready; parceria com a M0 para permitir que instituições globais cunhem stablecoins configuráveis; e “Agentic Banking” com infraestrutura do Google Cloud para que agentes de IA transacionem e gerenciem fundos autonomamente.
O que McCauley disse no Consensus sobre “Agentic Banking” merece atenção especial: “Estamos tendo isso acontecendo com agentes de IA, e ao mesmo tempo vemos uma replatformização fundamental do dinheiro em si via stablecoins e ativos digitais. Ainda acho que está sendo vastamente subestimado.” A combinação de AI agents que transacionam autonomamente com stablecoins em infraestrutura blockchain é o que executivos do setor estão chamando de “a próxima fase da adoção” — além do uso humano direto.
A fila de 20: quem são e o que querem
McCauley não revelou os nomes dos 20 na fila — a maioria ainda não quer anunciar publicamente antes de ter o licenciamento completo. Mas descreveu dois perfis distintos de clientes que estão entrando no mercado.
O primeiro perfil são bancos com um objetivo específico: usar stablecoins para otimizar pagamentos internacionais e transferências entre filiais. Hoje um banco americano fazendo uma transferência para sua filial no Brasil ou na Coreia usa uma cadeia de corresponsais bancários que leva de 1 a 3 dias e cobra entre 1% e 3% da transação. Uma stablecoin própria permite fazer a mesma transferência em segundos com custo próximo de zero — dentro da mesma entidade, sem precisar de correspondent banking.
O segundo perfil são emissores de stablecoin com canal de distribuição estabelecido. São empresas — de pagamentos, de e-commerce, de telecomunicações — que já têm milhões de usuários e querem emitir sua própria moeda digital para circular dentro do seu ecossistema. Não é uma stablecoin aberta como o USDC — é uma stablecoin fechada, como os créditos de um sistema de fidelidade, mas com as propriedades técnicas de um token blockchain.
| Perfil do emissor | Objetivo principal | Exemplos já confirmados |
|---|---|---|
| Banco com filiais globais | Otimizar transferências internas e pagamentos cross-border sem correspondent banking | JPMorgan (Kinexys), Goldman Sachs (em teste), HSBC (em teste) |
| Emissor com canal de distribuição | Criar stablecoin própria para circular em ecossistema fechado de usuários | Western Union (USDPT no Solana), Meta (pagamentos a criadores) |
| Gigante de tecnologia | Stablecoin como trilho de pagamento para AI agents e transações autônomas | Parceiros não revelados na fila da Anchorage |
O que isso significa para o mercado de crypto
A primeira implicação é de estrutura de mercado. Hoje, 98% do supply de stablecoins está concentrado em dois emissores: Tether (USDT) e Circle (USDC). Se 20 novas stablecoins institucionais entrarem no mercado ao longo dos próximos 12 a 18 meses, essa concentração vai se diversificar. Para quem usa stablecoins no dia a dia — para DeFi, para pagamentos, para preservação de capital em dólar — isso significa mais opções com graus diferentes de regulação e lastro.
A segunda implicação é de demanda por blockspace. Cada nova stablecoin emitida e cada transação que ela processa é atividade on-chain que paga fees para a rede que a hospeda. Ethereum e Solana são as principais candidatas a capturar esse volume — com a Solana ganhando terreno especialmente nas stablecoins de pagamento que precisam de velocidade e baixo custo por transação.
A terceira é a mais sutil. Cada banco que emite sua própria stablecoin se torna um participante ativo do ecossistema blockchain. Eles precisam entender como blockchains funcionam, como smart contracts são auditados, como wallets são gerenciadas. Isso cria um efeito de network: quanto mais instituições participam diretamente, mais o ecossistema se integra ao sistema financeiro tradicional — e mais difícil se torna qualquer tentativa futura de reverter essa integração via regulação restritiva.
O CEO da Bridge, falando no Consensus, disse que grandes corporações estão usando stablecoins crescentemente para fluxos de tesouraria cross-border — enquanto agentes de AI começam a usar os trilhos blockchain para pagamentos autônomos. Sua colega Lindsey Einhaus complementou: corporações grandes estão explorando ativamente stablecoins para tesouraria e pagamentos internacionais. São dois mercados enormes — corporativo e de AI — que ainda não foram contabilizados no supply atual de $245 bilhões.
Perguntas Frequentes
O que é uma stablecoin e por que bancos querem emitir a própria?
Uma stablecoin é um token digital cujo valor é fixado 1:1 a um ativo estável — geralmente o dólar americano. Bancos querem emitir a própria porque isso permite fazer pagamentos internacionais em segundos com custo próximo de zero, substituindo a cadeia cara e lenta de correspondent banking. Além disso, permite criar ecossistemas de pagamento fechados onde a stablecoin circula entre clientes do banco sem depender de infraestrutura de terceiros.
O que é o GENIUS Act e o que ele mudou?
É a primeira lei federal americana de regulação de stablecoins, aprovada em julho de 2025. Ela define quem pode emitir stablecoins nos EUA, exige lastro 1:1 em dólares ou ativos seguros e retira stablecoins reguladas da jurisdição da SEC e da CFTC. Antes da lei, emitir stablecoin era área cinzenta regulatória que afastava bancos e grandes instituições. Depois da lei, esses mesmos atores têm uma base legal clara para entrar.
Quem é a Anchorage Digital e por que ela está na posição que está?
A Anchorage Digital foi o primeiro banco de custódia de crypto com charter federal aprovado pela OCC nos EUA, em 2021. Isso a coloca numa posição única: é tecnicamente um banco nacional americano que opera exclusivamente em ativos digitais. Quando o GENIUS Act foi aprovado e as instituições tradicionais passaram a buscar um parceiro para emitir stablecoins com compliance bancário completo, a Anchorage era a única opção com todas as credenciais necessárias já aprovadas.
Isso significa que o USDT e o USDC vão acabar?
Não. Tether e Circle têm vantagens enormes de network: são as stablecoins mais líquidas, mais integradas ao DeFi e mais aceitas globalmente. O que vai mudar é a concentração: hoje 98% do mercado está nesses dois emissores. Com 20 novos emissores institucionais entrando, o mercado vai se diversificar. Cada nova stablecoin vai ter seu nicho — pagamentos corporativos, AI agents, ecossistemas fechados — sem necessariamente competir diretamente com o USDT no DeFi.
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